<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278</id><updated>2011-04-21T12:34:30.869-07:00</updated><title type='text'>BLOG ESCURO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogescuro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>158</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-3169353897700633016</id><published>2007-12-30T13:25:00.000-08:00</published><updated>2007-12-30T13:46:52.476-08:00</updated><title type='text'>Um homem só: eu te amo</title><content type='html'>Entra um homem com uma máscara em uma mão e uma cartola em outra. Deixa a máscara de um lado e veste a cartola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa é a história de um homem só. Nem um romance, nem uma tragédia, nem mesmo um diálogo. Essa é apenas a história de um homem só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem tira a cartola, senta no fundo do palco e aguarda. E, após passar algum tempo, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai dizer nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre até a máscara, veste e responde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vais dizer nada? Está há horas aí parado me olhando e nem me deste uma justificativa para tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que tás dizendo? Eu não te entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É simples, você está me amando e não sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está me amando e não sabe como agir. É normal, é bem o teu tipinho, aquele tipo de pessoa que se massacra em nome de sentimentos, que, paradoxalmente, julgam-se "vagos e efêmeros". Sabemos que é mentira, teu ego não cabe em ti, darling.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hmmm... Por que “te amando”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que somos parecidos. Você se identificou comigo e pôs seus olhos aqui. (apontando para seu corpo) Não negue, você me olhava e até gostou que eu dissesse isso agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não entendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa entender, bestinha, apenas aceite! Você é carente! Carente! Tadinho, tititi... (provocando)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... Eu apenas olhava para a cartola da tua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Para a cartola da mão"... (ridicularizando)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Eu não quero amar ninguém... Cansei, sabe? Como pode alguém cansar de dar amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cansei de dar amor... (inconformado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, não entendo, mas cansei de tentar entender também. Eu apenas olhava para a cartola de sua mão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa, então! (ainda inconformado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por nada. (...) Enfim, agora, vista-a e me diz algo bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a história de um homem só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-3169353897700633016?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/3169353897700633016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/3169353897700633016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/um-homem-s-eu-te-amo.html' title='Um homem só: eu te amo'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-5804569857129312869</id><published>2007-12-30T13:24:00.000-08:00</published><updated>2007-12-30T13:58:53.251-08:00</updated><title type='text'>Um homem só: meu bom Deus</title><content type='html'>O homem está de joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, estou aqui no trabalho pensando na pessoa que estou perigosamente apaixonado e em como essa pessoa não está pensando em mim aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, estou agora no ônibus pensando na pessoa que estou drasticamente apaixonado, e que não deve estar pensando em mim agora também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, estou aqui atrás da pessoa que estou tenebrosamente apaixonado e a  vejo olhar para outra pessoa que não está tenebrosamente apaixonado por ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, estou aqui no precipício da minha desgraça e ouço alguém lá embaixo rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, estou aqui rindo de alguém que chora de amor lá de cima do suicídio. Conheço aquela cara de choro, ele vai cair...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, estou aqui pensando em novas desculpas para não querer amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, vai dizer: eu falo de amor demais, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, se é verdade a tua existência, dê-me um sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, se tiveres de saco cheio, mande um raio para estourar bem no meio da minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarra o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bom Deus, essa é a história de um homem só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-5804569857129312869?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/5804569857129312869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/5804569857129312869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/um-homem-s-meu-bom-deus.html' title='Um homem só: meu bom Deus'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-1456527222010428519</id><published>2007-12-30T13:23:00.002-08:00</published><updated>2007-12-30T14:06:34.040-08:00</updated><title type='text'>Um homem só: o xavequeiro</title><content type='html'>Veste a máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poderíamos sair para dançar e beber alguma coisa, que tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tira a máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou lhe dizendo que quero vê-la e que sou um cara legal, sabe? “Beber”, “que tal?”, um cara legal na medida ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veste a máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah... Tudo bem, podemos deixar para outro dia, então, um dia que tu puderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tira a máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou lhe dizendo que ainda quero vê-la, que sou o mesmo cara legal, um cara legal na medida ideal, e que posso ser compreensivo também. Estou me fantasiando de "o cara legal certinho". O que talvez essa pessoa não queira e decretará isso na fala seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veste a máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não vá depois se arrepender, hein? Hehehe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tira a máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou dizendo que poderia chorar a noite inteira pela atenção recusada. Poderia, se não houvesse um homem maiúsculo aqui... Ahm, eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem veste a cartola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a história de um homem só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-1456527222010428519?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/1456527222010428519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/1456527222010428519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/um-homem-s-o-xaveco.html' title='Um homem só: o xavequeiro'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-595089722163099529</id><published>2007-12-30T13:23:00.001-08:00</published><updated>2007-12-30T14:08:17.228-08:00</updated><title type='text'>Um homem só: Antônio, eu</title><content type='html'>Tira a cartola, segura na mão a máscara e dialoga com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, Antônio? Tu nunca foste bom o bastante para mim. Quando meu corpo estava no auge, só quiseste saber de tuas aventuras, me deixava em casa padecendo de amor. Sempre foste péssimo para mim. É disso que eu estava falando outro dia e não me ouviste. Tu fizeste meu mundo, Antônio, e eu o quero de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixa a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho medo, Antônio. Tenho medo dos teus defeitos que não suporto mais descobrir. Eu choro, Antônio. Eu choro toda noite como uma boba, uma boba que um dia faz o homem e noutro o vê escapar como areia dos dedos. Que quem te tenha te engula logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Põe no chão a máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quero ser amada, Antônio. É muita humilhação para uma mulher bela como eu ser tua. Eu quero ser do mundo, Antônio. Do mundo. Onde tu sejas só um nome comum e eu possa ser rainha de um qualquer. Imperatriz das esquinas. Amante dos empregados... Eu cansei, homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisa na máscara que se desfaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu moro no teu coração agora, Antônio. Junto de tudo aquilo que você não deveria perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-595089722163099529?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/595089722163099529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/595089722163099529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/um-homem-s-antnio-eu.html' title='Um homem só: Antônio, eu'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-2837615446496777162</id><published>2007-12-30T13:22:00.001-08:00</published><updated>2007-12-30T13:22:44.152-08:00</updated><title type='text'>Continua</title><content type='html'>De madrugada, ela acordou, como costumava acordar quase toda noite, e viu, de longe, uma luz. Levantou-se da cama e encontrou uma luz ligada no corredor. Chegou mais perto, estranho deixarem luzes ligadas no meio da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma explicação aparente. Apagou a luz. Voltou para o quarto. Mas a consciência voltou a bater: será que as pessoas da casa saíram e esqueceram ligada a luz do corredor? Voltou para o corredor. Acendeu a luz. O quarto do seu irmão estava com a porta entreaberta. Olhou com olhos compridos. Ele estava ali dormindo. Pronto, voltaria a dormir. Apagou a luz do corredor e... A luz do quarto de seus pais estava ligada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta estava fechada, como sempre ficava, mas a luz estava ligada. Acendeu novamente a luz do corredor e foi até a porta dos pais. Lentamente, com suas pantufas de Frangolino, não faria barulho. Pôs sua cabeça ao lado da porta, delicadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um silêncio atordoante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atordoante para ela, ao menos. Resolveu bater na porta com mãos de veludo. Três toques e ninguém havia respondido. Resolveu entrar. Será? Da última vez que fez isso, o pai não gostou, mesmo tendo motivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram quase dez minutos pensando se era possível entrar ou não. Já havia hesitado, voltara alguns passos, mas a curiosidade a motivava a continuar. Resolveu entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As roupas de cama estavam jogadas na cama. Não havia ninguém ali. Resolveu procurar pela casa... Não. Digo, sim, resolveu, mas desistiu logo. Acordaria seu irmão, ele era mais corajoso e mais velho. Adentrou o quarto do mano e, com o mínimo de sensibilidade - coisa de irmã caçula, ligou a luz. Seu irmão não estava lá. O que havia ali eram os lençóis sobre a cama, formando o corpo de uma pessoa, como se fosse alguém dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava sozinha naquela casa como nunca esteve antes. E seus pais e irmão não haviam lhe dado qualquer explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-2837615446496777162?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/2837615446496777162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/2837615446496777162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/continua.html' title='Continua'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-6022380794636381737</id><published>2007-12-30T13:21:00.002-08:00</published><updated>2007-12-30T13:22:14.649-08:00</updated><title type='text'>Adão</title><content type='html'>Pesa a idade e um homem chora sua paz, é a imagem que o rapaz leva do aprendiz. E um mestre vê seu chão em cores pardas. Do alto de um brasão, acena para o seu lugar, para as primaveras que deixa p'ra trás, para os seus planos que se perderam na idade em que está. O andar dos anos. Faz um minuto que era um rapaz (sonhos e enganos), mas foi quando pensava ser incapaz, que a pobreza desse seu olhar era certeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-6022380794636381737?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/6022380794636381737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/6022380794636381737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/ado.html' title='Adão'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-9026251225238506805</id><published>2007-12-30T13:21:00.001-08:00</published><updated>2007-12-30T13:21:49.599-08:00</updated><title type='text'>Costela</title><content type='html'>Uma vida é um universo em cada mão, a certeza disso se chama solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-9026251225238506805?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/9026251225238506805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/9026251225238506805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/costela.html' title='Costela'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-3424715202129177810</id><published>2007-12-30T13:19:00.000-08:00</published><updated>2007-12-30T13:21:23.622-08:00</updated><title type='text'>Bruxas nos fazem mal</title><content type='html'>...e a bruxa estava decidida, queria fazer sopa dos dois. Mas Maria foi mais astuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai, o que é astuta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperta. Maria foi mais esperta... E disse que aquele caldeirão era muito pequeno, que não caberia nem ela sozinha lá dentro. Então, a bruxa disse "- Menina boba! Há espaço suficiente, sim, até eu caberia aí dentro!". E Maria falou que duvidava, que era im-pos-sí-vel. A bruxa se aproximou e colocou a cabeça bem perto do caldeirão, que queimava forte. Maria, então, aproveitou que a bruxa estava distraída e deu-lhe um empurrão que a fez cair lá dentro. A bruxa queimava no seu próprio caldeirão. E Mariazinha não pensou duas vezes!, foi direto libertar João. Antes de irem embora, os dois tiveram a idéia de pegar todo o tesouro que a bruxa guardava. Eles estavam muito felizes porque conseguiram escapar. Mas, ao chegarem em casa, encontraram seus pais chorando. Chorando não só por terem perdido os filhos, mas pela falta de dinheiro, não tinham dinheiro nem para jantar. Joãozinho e Maria, então, mostraram toda a fortuna que traziam nos bolsos: agora não haveria mais preocupação com dinheiro ou comida e, assim, eles foram felizes para sempre. Fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hmmm... Eles roubaram da bruxa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roubaram... Mas roubar de bruxa não é errado. Bruxas nos fazem mal. Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-3424715202129177810?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/3424715202129177810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/3424715202129177810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/bruxas-nos-fazem-mal.html' title='Bruxas nos fazem mal'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-3078224787600014946</id><published>2007-12-03T15:51:00.001-08:00</published><updated>2007-12-03T16:40:35.530-08:00</updated><title type='text'>Tudo Agora Silêncio</title><content type='html'>Minha Dorita, como foi na escola hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que escola, mãe? Que escola? Que tu quer saber da escola?, deixa a escola lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, não fale assim, filha. A escola é o alicerce do futuro de um país e de cada uma das pessoas que vivem nele. A educação é uma das coisas mais importantes que uma sociedade pode ter, pois é com cidadãos capazes que poderemos mudar o lugar onde vivemos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, mãe, como tu é caxias, idiota. Não vê que ninguém tá concordando com o que tu tá falando? Escola é só a escola, educação se tem é em casa. E quem tem, tem. Quem não tem, se fode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nããão, filha, não é assim, sem a escola, uma sociedade se ala...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai tomar no teu cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-3078224787600014946?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/3078224787600014946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/3078224787600014946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/tudo-agora-silncio.html' title='Tudo Agora Silêncio'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-1114842368571637997</id><published>2007-12-03T15:50:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T16:43:42.086-08:00</updated><title type='text'>Exercício 1: Apresentação Pessoal</title><content type='html'>Quem é Miltinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo-me Miltinho. Milton dos Santos. Há também um sobrenome paterno no final de meu nome, mas prefiro ser chamado apenas de Miltinho. Milton dos Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou estudante de Engenharia Elétrica, curso o sexto semestre e, diferentemente de meus colegas de curso, sou completamente apaixonado por escrever. Eis o motivo de ter escolhido uma cadeira de primeiro período do curso de licenciatura em Letras, a paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paixão antiga. Mil novecentos e noventa e oito, oitava série. Eu tinha tanta vontade de ser Augusto dos Anjos, que uma vez, em uma prova, consegui a proeza de confundir meu nome com o endereço de minha casa - moro na Rua Augusto Ott, em Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou responsável por um endereço eletrônico chamado O Projetista Intrumental (www.oprojetistainstrumental.blogspot.com). Nele, haverá textos autorais, que semanalmente terei o compromisso de atualizar. Escrevo desde o ano de 2004 na Internet e não escondo minha pretensão de, um dia, transformar esses contos, microcontos, crônicas e poesias virtuais em páginas impressas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, falando no âmbito profissional, tenho dois sonhos: um livro e um filme. Mas, sobre esse assunto, é melhor deixar para uma outra oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-1114842368571637997?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/1114842368571637997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/1114842368571637997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/exerccio-1-apresentao-pessoal.html' title='Exercício 1: Apresentação Pessoal'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-1344716359976287510</id><published>2007-12-03T15:49:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T15:50:13.083-08:00</updated><title type='text'>Cena 10</title><content type='html'>Interna, quarto, noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem senta-se na cama. Vê perto do espelho a foto deles na festa de casamento. Câmera foca na imagem e apresenta mais duas imagens da mesma festa. Câmera foca a aliança na mão do homem, que ainda segurava o cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Câmera mostra uma aliança no fundo de uma privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem olha para o travesseiro. Câmera acompanha esse olhar, sai do rosto do homem até o travesseiro e volta para o rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem desconcentra o olhar no travesseiro e se vê no espelho. Foca-se no espelho. Arregala os olhos com as mãos (movimento que oculistas fazem para examinar o paciente, o resultado na face de alguém é semelhante à máscara do Pânico). Repara que, atrás dele, o espelho mostrava roupas da mulher jogadas na cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem contorna o corpo da mulher em mãos vazias. Tudo devagar e, de novo, sentado na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Câmera foca para o chão. Há uma sandália. O foco é a sandália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece um flash de uma mulher calçando a sandália sobre aquela mesma cama. Calça devagar, para o deleite do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem pega uma sandália. Olha a sandália sob várias perspectivas, como se o centro do mundo naquele momento fosse aquela sandália. Alisa a sandália. Bate no solado. Sente o cheiro. Cheira à saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha para seus pés. Sapatos. Grosseiros sapatos, pretos, bem engraxados, com cadarços, estilo social. Desata os nós dos cadarços. Tira com as duas mãos cada um. Elegantes meias negras em cada pé. Tira as meias. Olha para a sandália e segura as duas com uma mão só. Calça as sandálias. Câmera foca em um homem com sandálias e calças. Sua mão puxa as calças para aparecer somente as sandálias, os pés e as pernas cabeludas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem caminha estranho com as sandálias. Vai até o espelho se ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joga no chão as roupas que estavam em cima da cadeira. Procurava alguma roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No armário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre o armário e encontra vestidos diversos. Pega vestido por vestido e os joga no chão, ele ainda procurava algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que o homem acha. Era o vestido que ela usava na fotografia da primeira cena. Joga na cama o vestido. Veste-o. O homem se olha no espelho e não demonstra expressão alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Câmera mostra uma busca por armários diversos, mas sempre com um senso destrutivo, abrir uma gaveta, tirar o que tem dentro e jogar no chão ou longe. Até que o homem encontra os vidros de maquiagem no pechiché. Há uma estranha alegria em ver aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para a câmera, homem coloca o batom. Quando acaba, dá um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-1344716359976287510?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/1344716359976287510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/1344716359976287510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/cena-10.html' title='Cena 10'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-4299420475324688598</id><published>2007-12-03T15:47:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T16:34:13.365-08:00</updated><title type='text'>O que você tem a dizer sobre Renato e sua guitarra?</title><content type='html'>Conheci o Renato há uns cinco anos, quando ainda tocávamos com o Gerson. Eu era muito novo, estava recém começando no trompete e foi ele que me deu força p'ra continuar. Nunca vou esquecer dos aprendizados que tive com esse senhor músico. Hoje, tomamos caminhos diferentes, mas tenho certeza que as lembranças daquele tempo jamais serão esquecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho palavras para dizer da minha admiração por ti, meu camarada. Tu brilha porque tem estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-4299420475324688598?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/4299420475324688598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/4299420475324688598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/12/o-que-voc-tem-dizer-sobre-renato-e-sua.html' title='O que você tem a dizer sobre Renato e sua guitarra?'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-2496094827578356590</id><published>2007-08-24T20:46:00.001-07:00</published><updated>2007-08-24T20:46:50.734-07:00</updated><title type='text'>Simples</title><content type='html'>"Nem sol nem mar nem verão, final de tarde em Ponta Negra tem-me sido pura saudade tua". Estava bom? Era simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas simples têm mais chances de se tornarem belas. É um aprendizado. A simplicidade é uma qualidade inconsciente. Todos nós já sabemos de fábrica o que é belo. A surpresa traz à rima uma estranheza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrou para o homem dos Correios. Ele leu, releu. Leu pela última vez. P'ra namorada? Poderia ser até p'rum amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora. Nunca mandaria a um amigo um cartão assim, sela e carimba logo, que até a sogra vai gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-2496094827578356590?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/2496094827578356590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/2496094827578356590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/08/simples.html' title='Simples'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-1525029055141735475</id><published>2007-08-24T20:45:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T20:58:05.411-07:00</updated><title type='text'>Dez Dedos de Desdobramentos</title><content type='html'>Sobre a mesa, um guardanapo de espessura mediana. Deixado, assim, dobrado, numa espessura mediana. Uma amizade, um pedaço de papel, uma página inteira. Palavras de ordem, um ditado inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior, há um interesse escrito em letras garrafais, onde a praxe do bilhete se escreve em letras garrafais. Um olhar, um salão, um outro olhar. Uma dúvida que sabiamente cuidará por permanecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No texto, um endereço dá vazão ao imaginar: o começo de um começo, a razão de imaginar. Um filme, um cinema, um cinema mudo. Um pouco de graça naquele dia sem cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o filme que eu havia te dito. Cuida a luz que é p'ra não desfocar. A primeira tomada não é bem o início. No cinema falado, ainda é preciso letrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respostas perguntam. No final, ele morre. O prazer digital não se pode comprar. Crédito ao nome, pois assim ele corre, de nome em nome, o renome se dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inovação da imagem é um filme de amor físico sobre um cobertor p'ra todo mundo ver. E as cores de Almodóvar são as cinzas do escritor, que morreu na transição: arte-vida qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-1525029055141735475?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/1525029055141735475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/1525029055141735475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/08/dez-dedos-de-desdobramentos.html' title='Dez Dedos de Desdobramentos'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-2165003602284016372</id><published>2007-08-24T20:44:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T20:59:27.845-07:00</updated><title type='text'>Adriano abre a janela</title><content type='html'>A noite se esconde na vergonha da esquina com suas meninas de pernas p'ro ar. Nenhum farol ofusca o brilho que anima o ponto. A heroína faz um carro parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beco escuro. Chama a dama a buzina. Sob o olhar da cafetina, um código particular. Desce o vidro e a saia p'ra cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu vai ser minha china até o dia raiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larga do carro numa manhã de neblina. Perfume, suor e nicotina, um corpo de estar (...) guardando o mundo por dentro da vagina, mas o amor, que é obra-prima, dessa vez não foi possível levar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-2165003602284016372?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/2165003602284016372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/2165003602284016372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/08/adriano-abre-janela.html' title='Adriano abre a janela'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-6169936860162010509</id><published>2007-08-24T20:42:00.001-07:00</published><updated>2007-08-24T21:20:08.119-07:00</updated><title type='text'>E aonde é que eu entro nisso tudo?</title><content type='html'>A Publicidade, em sua essência, consiste em dar a conhecer um produto ou um serviço, estimulando o interesse por ele até o ponto de desencadear o seu consumo ou emprego. Com efeito, os inquéritos psicológicos demonstram que o estímulo não tem resultado positivo, ou seja, não conduz à compra se não responder a uma necessidade real, seja ela manifesta ou oculta, do indivíduo. O dar a conhecer e o convencer não são expressões da época moderna, mas, sim, aspectos comuns de todas as necessidades humanas desde o começo da evolução do homem. Portanto, a Publicidade é recente somente no que diz respeito à sua dinâmica atual, como também é recente a industrialização do trabalho e o aceleramento da comercialização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua história está intimamente ligada à História da Economia e, através desta, aos aspectos morais, sociais, políticos e culturais dos povos, a Publicidade é tanto um elemento dinâmico como um reflexo da sociedade que atua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A venda em massa surgiu na Inglaterra com a Revolução Industrial. Em virtude da produção massificada, graças aos recursos das máquinas e novos instrumentos de trabalho, tornou-se necessário a ampliação do mercado consumidor, o que foi possível através da Publicidade. Com o sucesso, houve rotatividade dos produtos, e, a partir desse momento, a Publicidade moderna tomou impulso. No momento em que as fábricas aumentaram a produção, foi preciso conquistar novos mercados e a ferramenta se consolida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Propaganda tem como objetivo precípuo a divulgação de idéias para torná-las conhecidas pelo grande público, a Publicidade tem como finalidade, além destas, a pretensão obstinada a aumentar o consumo. Assim, Publicidade é sempre Propaganda, mas nem sempre a Propaganda é Publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o surgimento da prensa de Gutenberg, que revolucionou o processo de arte gráfica, temos o começo da Publicidade e da Propaganda moderna. Saibamos que a invenção de Gutenberg não foi a da Imprensa, que já existia antes de seu nascimento, em 1397, mas a possibilidade de quantificar essa informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, no século XIX, com o desenvolvimento da Imprensa e a partir da Primeira Grande Guerra, inicia-se o crescimento da propaganda comercial. Em decorrência das forças produtivas e das relações mercantis que o capitalismo progrediu num processo gradual, mas auspicioso, a primeira agência surge em maio de 1914 e se denominava Castaldi &amp; Bennaton, nome que mais tarde mudaria para Eclética. Ao ser vendida pelos primeiros donos, após a Primeira Guerra, já haviam cinco agências em exercício em São Paulo: Pettinati, Edanée, Valentim Harris, Pedro Didier &amp;amp; Antonio Vaudagnot, além da própria Eclética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De agora em diante, a Publicidade brasileira vai garimpando espaços. Em janeiro de 1920, é fundada a Agência Pettinati, pioneira em negociar publicidade com todo o país com as companhias internacionais de cinema, principalmente as norte-americanas Paramount, Metro Goldwin-Mayer, Fox e United Arts. Em 1923, é inaugurada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, primeira emissora comercial do Brasil. Em 1928, surge a revista O Cruzeiro, abarrotada de anúncios – a revista Manchete só viria em 1950. Com o desenvolvimento industrial brasileiro, agências internacionais se instalam no país, assim, profissionalizando os trabalhadores da área, como fotógrafos, desenhistas e redatores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 30, também, a rádio ganha novas perspectivas. O governo disponibilizava para o serviço privado o direito de trabalhar com o meio. Assim, a maioria dos investimentos em Publicidade no país acabava destinado ao rádio e sua forma de realizar programas de merchandising, como o Repórter Esso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio Grande, em 1932, Arthur do Canto cria a primeira agência do estado, a STAR – Sociedade Técnica de Anúncios e Representações, sendo as Lojas Guaspari, do prédio ainda existente na Avenida Borges de Medeiros, seu principal cliente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças ao surgimento da televisão na década de 50, o país viu de perto o grande bum! do setor, dando respaldo à realização do primeiro Congresso Brasileiro de Propaganda, que foi um marco para o ano de 1957.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, as agências brasileiras começaram a perceber que, para se expandir, seria necessário aprimorar conhecimentos, ombrear e até tentar superar a concorrência de agências internacionais, como a McCann-Erickson, Thompson, Lintas, entre outras. Além do pioneirismo, as agências internacionais foram essenciais na nossa formação, passando-nos know-how e alguns macetes da função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mil novecentos e cinqüenta e seis trouxe o video-tape, que chegaria ao Brasil anos depois, um verdadeiro fenômeno nos meios de comunicação, incitando novos desafios na arte e na criação da propaganda, proporcionando o surgimento de novas emissoras pelo país afora. Despontava Brasília, a nova capital federal. As décadas de sessenta e setenta ficaram marcadas pela consolidação da arte publicitária, assegurando agências de propaganda como empresas consistentes e respeitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, os anos oitenta foram anos abalados por movimentos políticos e sociais tumultuosos, reivindicatórios por mudanças no sistema de governo. Outra marca da década são as altas taxas inflacionárias e as incessantes crises, obrigando algumas agências a fecharem suas portas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo publicitário não se intimidou, pouco a pouco foi normalizando e acelerando o seu desenvolvimento, aproveitando-se das novas descobertas tecnológicas, a computação produziu um grande impacto na vida cotidiana e a Publicidade não se furtou desta perspectiva. Novos padrões sociais norteiam a ação individual e coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a conclusão disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estamos cada vez mais habituados com essa relação que temos com a Publicidade e a Propaganda, mas não foi sempre assim. Ao buscar material para o trabalho, acabei conversando com pessoas da área, que hoje trabalham no Museu Hipólito da Costa. Talvez tenha sido mais surpreendente, para mim, saber desses relatos dos “pioneiros” gaúchos, que da própria história da Propaganda. Acho que os alunos de Publicidade em geral não têm noção do quanto foi batalhado para que possamos ter o mercado que temos hoje. Se podemos atuar naquilo que gostamos, é graças a essas “figuras” que conheci. Também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei essa conclusão dizendo que hoje estamos cada vez mais habituados com essa relação que temos com a Publicidade. Exatamente nessas palavras. Na verdade, o fato de estarmos habituados, de maneira geral, com a Publicidade não é inteiramente positivo. Hoje, Publicidade e Propaganda parecem ter sentido depreciativo no vocabulário popular, “ah, é só Propaganda”. É responsabilidade nossa tentarmos inverter essa imagem de enganadores. Parece-me que o problema da Comunicação atual está aí. Não podemos acreditar em mais nada. E isso é um caso grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-6169936860162010509?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/6169936860162010509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/6169936860162010509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2007/08/e-aonde-que-eu-entro-nisso-tudo.html' title='E aonde é que eu entro nisso tudo?'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116529765099157671</id><published>2006-12-04T21:47:00.000-08:00</published><updated>2006-12-04T21:47:30.993-08:00</updated><title type='text'>Os Últimos e os Primeiros</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Em cada porta, era avisado: não vá. Não, eu sigo. Em cada beijo, despedida, era uma súplica. Não vá. Não. Eu sigo. Havia obstáculos a cada passo: não vá. Risos. Eu consigo. O tapete se tornava menos gasto a cada metro. Não vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há milhares de coisas na vida que precisam ser revistas. Televisionadas. Nada. Há milharais de coisas na vida tomadas de urubus. Há urubus em toda parte. E minhas partes retratam o inteiro. Há, inteiros, a dor e o certo. Concreto e irreal. E eu serei a realidade que, sem cheiro, cor ou credo, bate na culpa do célebre cordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A Grande Questão Filosófica de Nosso Tempo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há gente na vida dos outros, por que não aqui? Há vida na vida dos outros e eu sigo com duas ou três certezas. Só. Serei lembrado por duas vezes. Os dias que nasci. Os dias que morri. Os primeiros serão comemorados e por aqui eles vivem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os últimos serão calados. E, por eles, morrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo certo que o maior erro é optar pelo incerto, quando é de desertos que se preenchem os mares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116529765099157671?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116529765099157671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116529765099157671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/12/os-ltimos-e-os-primeiros.html' title='Os Últimos e os Primeiros'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116529761582334941</id><published>2006-12-04T21:46:00.000-08:00</published><updated>2006-12-04T21:58:55.220-08:00</updated><title type='text'>Quem é sujeito</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Melindrosa, você tem cinco minutos p'ra mudar a minha vida. E eu quero fazer dessa ordem meu ponto-de-partida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Assim, me desligo do vício. Assim, nem condeno o passado e opto por um reinício, que, eu sei, está atrasado. Desisto das frases de efeito, deixo as poesias de lado. Nem quero mais saber quem é sujeito, só quero é viver de predicado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não jogo mais lixo no chão, nem limpo a calçada com mangueira. Nada de barulhos no salão. Nem passear com Bernardo sem coleira. Sem mais limpezas de faz-de-contas. Não deixo a luz acesa de dia. Tiro da tomada o microondas. Não deixo mais amontoar louça na pia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não me gripo nos finais-de-semana. Juro. Levo comigo cada uma das vitaminas. Sério. Dou água para todas as plantas. Sempre. Todo amor para nossa menina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Deixa o ponteiro do relógio bater. Deixa o espelho do armário mostrar o casaco vermelho sobre o pechiché, é um sinal que a dona está a voltar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Deixa o ponteiro do relógio bater. Deixa o espelho do armário mostrar. O casaco vermelho sobre o pechiché é um sinal que a dona está a voltar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Melindrosa, você tem cinco minutos p'ra mudar a minha vida, porque agora eu sei dos amarelos que fazem o meu dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(Solano Lucena)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;pre&gt;&lt;tt&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/tt&gt;&lt;/pre&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116529761582334941?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116529761582334941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116529761582334941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/12/quem-sujeito.html' title='Quem é sujeito'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116529756247495221</id><published>2006-12-04T21:45:00.000-08:00</published><updated>2006-12-04T22:05:54.733-08:00</updated><title type='text'>Sinônimo de Hélio Oiticica</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao falar de Tropicalismo, não é possível esquecer das artes plásticas, da influência que essas tiveram para o trabalho visual do movimento. Hélio Oiticica é o principal nome, principal expoente da arte tropicalista e autor da obra que daria nome ao mesmo, Tropicália. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tropicália é uma instalação. Já no período neoconcretista, o artista ousava atravessar essa barreira de objeto pictório e escultório, o público precisa participar da obra. Hélio é um dos nomes que, junto com Lygia Clark, Franz Weizzmann e Amilcar de Castro, fundou o primeiro movimento de artes plásticas unicamente brasileiro, o Neoconcretismo. Influenciados por nomes concretistas e do construtivismo russo, os neoconcretistas tinham como visão aproximar as galerias do povo brasileiro, embora o excesso de linguagem geométrica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tropicália é uma instalação. A obra de 1967 é um jardim com pássaros vivos e plantas. O clima é de um brasileiro nativo, no lado de fora da obra. O interior da instalação tem como objetivo a memória da favela. Oiticica parece querer ali mostrar “diferentes Brasis”. Uma televisão do lado de dentro, um cantar de pássaros do lado externo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Oiticica ainda ficou conhecido por uma obra bastante peculiar chamada Parangolés, onde o público podia vestir a obra, dançar e ter a experiência da cor desta em seu corpo. Seria o auge da dessacralização da obra de arte e da aproximação entre arte e vida - a arte como extensão do homem -, assim como se interessava Lygia Clark ao criar os Bichos. Os trabalhos deixam de ser “obras” para serem propostas abertas ao público e por ele completadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por fim, enquanto a Tropicália, movimento, explodia, Hélio se engajava realizando cenários de shows e capas de discos dos músicos. Participou como ator em um filme do incansável diretor Glauber Rocha. Um filme chamado "Câncer", onde a ferida da ditadura é cutucada a cada minuto pelo cineasta. E, ainda no momento tropicalista, realizou manifestações de cunho político, como a obra Homenagem à Cara de Cavalo, com a clássica frase, quase um sinônimo de Hélio Oiticica, "Seja Marginal, Seja Herói" (como se fosse simples assim ser sinônimo de Hélio Oiticica).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(Solano Lucena)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116529756247495221?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116529756247495221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116529756247495221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/12/sinnimo-de-hlio-oiticica.html' title='Sinônimo de Hélio Oiticica'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116529748353415315</id><published>2006-12-04T21:43:00.000-08:00</published><updated>2006-12-04T22:08:32.400-08:00</updated><title type='text'>A Saga da Jardineira</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O amor perfeito não existe. A amor-perfeito tinha se enganado. Ela tinha amado um lírio listradinho e postado no comments do fotolog dele, “eu não acredito em amor à primeira vista, mas foi”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Solano Lucena)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116529748353415315?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116529748353415315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116529748353415315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/12/saga-da-jardineira.html' title='A Saga da Jardineira'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116322703847238391</id><published>2006-11-10T22:36:00.001-08:00</published><updated>2006-11-12T09:23:52.663-08:00</updated><title type='text'>A Saga da Floreira</title><content type='html'>As flores amam o vaso sanitário. Não o vaso floral, as flores amam o vaso sanitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As flores saem perfeitas da floricultura. E como chegam? Algumas despetaladas, outras murchas. Culpam o motoqueiro, a loja, o clima, o olho grande da ex. Mas a culpa, a culpa é da própria flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A flor foi feita p'ra ser bonita, mas não p'ra ser amada. Ela gosta que a joguem no vaso e puxem a descarga. A flor torce para que a mulher que a receberá não goste do cara que mandou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vaso não-sanitário é bom. Confortante, mas quem disse que flores precisam disso? Flores gostam de aventuras, como a patente do banheiro público. A mulher se descabelando de raiva e mandando o cara p'ra puta-que-pariu e afogando o buquê naquela água suja de vômito de bêbado. Aí, ela puxa a descarga e entope os canos. Assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fodam-se os canos também, as flores são masoquistas, é no Arroio Dilúvio que elas se sentem bem, na imundice do Guaíba. E essa imundice beira a Ilha das Flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116322703847238391?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116322703847238391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116322703847238391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/11/saga-da-floreira.html' title='A Saga da Floreira'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116322700315217566</id><published>2006-11-10T22:36:00.000-08:00</published><updated>2006-11-10T22:50:46.446-08:00</updated><title type='text'>O Refrão</title><content type='html'>Você era harmonia, você era melodia, uma clave de sol que brilhava no céu da boca do cantor que alegremente cantava essa canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu. Estava no encarte. Era somente a poesia... À procura da palavra certa que complete esse refrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116322700315217566?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116322700315217566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116322700315217566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/11/o-refro.html' title='O Refrão'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116322683745205027</id><published>2006-11-10T22:32:00.001-08:00</published><updated>2006-11-10T22:51:12.170-08:00</updated><title type='text'>Analogia</title><content type='html'>Meu coração é um óvulo. Não é porque tu chegou primeiro e bateu forte, que vai fecundar outro ser aqui dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116322683745205027?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116322683745205027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116322683745205027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/11/analogia.html' title='Analogia'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116322680166165548</id><published>2006-11-10T22:32:00.000-08:00</published><updated>2006-11-10T22:35:21.873-08:00</updated><title type='text'>Bat-encontro</title><content type='html'>licamiguxa@hotmail.com escolheu  os brincos de estrelas que ganhou de aniversário. O guarda-roupa era, basicamente, o da irmã mais nova, ela nunca foi muito de se produzir. Estava nervosa. Até derramou chá gelado na mesa, cuida que mancha. Estava nervosa, conheceria julio_ccm@hotmail.com, o homem de seus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze horas na mesa onze do Onze e Meio. Como chegara mais cedo e tinha alguém na mesa escolhida, sentou-se numa que desse p’ra ver quem ali entrava, enquanto reparava no rapaz da mesa prometida. Era um menino, ele assobiava feliz uma música que ela conhecia, tinha uma rosa champanhe na mão, brega, brega, estava esperando por alguém. Poderia ser ele, mas, como não se parecia em nada com as fotos do álbum no Orkut, nem desconfiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garção já passara por ela quinze a vinte vezes. Já estava deprimente. O tempo foi passando. Via que o cara só podia ser aquele mesmo que assobiava. Que não era bem o que ela esperava, que nem, ao menos, era bonito. Resolveu ir prontamente embora dali, até que, ao sair, um homem pelo esbarrão se desculpava. Loiro, alto, Medicina na federal, pensava ela que era seu príncipe encantado, que estava em estado vibracional com aquele homem à sua frente. Resolveu levá-lo consigo, vem que eu tenho uma idéia de como ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi feliz e, quando acordou, via uma criança ranhenta de cabelos claros sobre sua barriga. Queria dizer que o Junior lhe bateu no lado da bacia, aqui, ó! Logo apareceu outra criança, essa maior, com a boca inchada, dizendo que não foi ele, que ele não era covarde. O homem aquele estava ao seu lado e pedia silêncio. Ela o olhou novamente. Não era mais um príncipe encantado... Tava mais p’rum pançudo charretista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela resolveu levantar daquela cama. Pisava em brinquedos jogados no chão. As paredes estavam (mal) pintadas de giz de cera. No quarto, o homem gritava, como que se desculpasse: comprei os teus pães! Na sala, as crianças traziam uns cartões com suas mãos ali representadas, feliz Dia das Mães, mamãe. Recebia beijos melados de pirulitos e danoninhos. Na pia, uma louça se acumulava. Ao pensar em comer alguma coisa, abriu o armarinho para verificar se o pão era mesmo aquele que gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E onde é que está meu pão de centeio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três fizeram um cúmplice silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, isso só pode ser praga daquele feio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116322680166165548?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116322680166165548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116322680166165548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/11/bat-encontro.html' title='Bat-encontro'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116205459875345697</id><published>2006-10-28T09:55:00.000-07:00</published><updated>2006-10-28T14:07:40.310-07:00</updated><title type='text'>Cena 15</title><content type='html'>Duas apresentadoras de telejornal tomam café após o final do programa. Uma penumbra será deixada no palco, elas se encontrarão no meio para contar o que acontecera. Apresentadora 1 está chorosa, enquanto a apresentadora 2 parece sem saber como agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentadora 2: Amiga, conta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentadora 1: O de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele te bateu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(nervosa) Por que tu precisa dizer, se tu sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa, eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, desculpa eu. Tô nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer me contar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer ouvir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claaaro! Tu sabe que sempre pode contar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateu. Ele me arrastou pelos cabelos da cozinha até o espelho do banheiro. Queria que eu visse como eu estava mais bêbada que ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que importa!? Eu não machuquei ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, amiga... Não quis dizer isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei explicar. Nem sentir dor mais eu sinto. Hoje, quando acordei, pensava nisso. Por mais que ele me surre e fale as merda que ele costuma falar, eu gosto dele. Parece que gosto disso. (pausa) Não, não gosto... (pausa) Mas eu gosto, sabe? (expiração nasal de riso) Tu deve tá me achando maluca agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, claro que não. (compreensiva)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não gostasse, por que estaria com ele ainda? O que me impede de pegar a chave do meeeeu carro e ir p'ra outro lugar, nunca mais querê vê ele? (aqui acontece uma ascensão na entonação de voz) Quem comprou nosso apartamento fui eu, quem põe janta naquela mesa sou eu, quem paga a puta que ele come antes de vir descontar os cachorro em mim sô eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentadora 1 chora. Apresentadora 2 não sabe o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amiga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(interrompe) Ontem, ele foi dormir e eu fiquei pensando como seria fácil acabar com tudo isso. Só depende de eu querê. E, só de pensar nisso, já perco o sono... Tenho medo que ele descubra o que estou pensando. E ele pode descobrir, ele já fez isso. Pode, eu sei que pode. Eu mereço apanhar, sabe? Não pelos motivos imbecis que ele dá. Eu mereço apanhar porque eu fico. Porque eu passo noites chorando e odiando ele. Mas, no fim, eu fico. Fico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu já pensou em procurar ajuda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já, a mãe dele. Ela disse que ele sempre foi assim, família de desequilibrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sério...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Eu tenho medo. Não sei até aonde esse cara é capaz de ir e isso é sério. Imagina um dia acordar com a pessoa que tu ama tocando no interfone. Tu vai abrir e ela toma conta de tudo, de novo. É bem típico dele. Esse cara é um mal que eu criei. Um dia desses descontei no Douglas a raiva que eu tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bater no filho dele não ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, ajuda, pode ter certeza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me lembra uma peça que vi faz... Umas três semanas, eu acho. É sobre uma mulher que mata os filhos para se vingar do marido infiel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Acontece a peça)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu gostou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei, mas... É teatro, né? Nunca acreditei em teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu é engraçada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado é o cara que foi comigo. Sabe aquele tipo minha-mãe-disse-que-eu-sou-o-bom-e-eu-acreditei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei! (ri) Nunca chegue bêbada em casa com um desses!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comigo não, filha, comigo não! Acho que toda mulher deveria aprender isso nas aulas de ballet na creche: "homem é que nem chiclé, perdeu o gosto? Toca fora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, eu pensei em outra dessas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É quando tu pisa que eles grudam"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ri) "Só o que muda de um p'ro outro é a embalagem e a figurinha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas riem e se abraçam como cúmplices, o abraço é antídoto para dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116205459875345697?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116205459875345697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116205459875345697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/10/cena-15.html' title='Cena 15'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116205387632506780</id><published>2006-10-28T09:43:00.000-07:00</published><updated>2006-10-28T12:57:21.540-07:00</updated><title type='text'>A Muralha</title><content type='html'>Ela é boba e gosta de ti, seu imbecil. Ela tem sentido tua falta. Repara o cuidado que ela tem p'ra te dizer as coisas. Se p'ra ti é só uma impressão, p'ra ela tem gosto de um amor que nunca existiu. Assim mesmo, querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amor conquistado e diferente, não é desses amores que chegam e se jogam, não. É um amor que vai tomando dimensões e ocupando sinais. Tantos sinais que você nem vê mais. Os sinais se tornaram corriqueiros, passaram a ser o jeito dela. E o jeito dela se desdobra em mil poses antes de te dar um beijo no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é dramática e exagerada. Ela, no fundo, queria morrer aos teus pés só p'ra ver se tu acudiria ou passaria por cima... Passaria por cima. Eu conheço. Só toma cuidado p'ra, depois de passar por cima, não ir limpar os pés na grama. Além de ser muita humilhação para ela, o merda da história é tu. Favor não esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116205387632506780?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116205387632506780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116205387632506780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/10/muralha_116205387632506780.html' title='A Muralha'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116205090154939987</id><published>2006-10-28T08:52:00.001-07:00</published><updated>2006-10-28T13:21:06.543-07:00</updated><title type='text'>O Muro</title><content type='html'>Eu voltava da escola e a kombi me deixava na esquina de casa. Caminhava algumas dezenas de passos e colocaria a bolsa sobre o sofá. Iria lavar as mãos e iria almoçar. E, possivelmente, iria reclamar da comida também. Eu fazia isso em dias comuns. Mas nem todos os dias que eu fazia isso eram dias comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao caminhar meia-quadra, eu passava por um muro escrito "Seco MD". Seco era o meu amigo e MD, o meu bairro. O que me chamava a atenção estava por detrás daquilo, na verdade. Eu ouvia vozes atrás do muro. O muro escondia alguma coisa... Claro, é um muro. Mas é alguma coisa diferente. Meu pai disse que é um terreno baldio. Pode ser, pode ser. Eu duvido. Sempre, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi a ajuda de dois amigos, o Pedrinho e o Fábio Marié, da Hugo Ribeiro. Quero conhecer o outro lado daquela muralha. Muralha, que aventura isso seria. Eu sempre fui bem magrinho e meus braços não teriam força p'ra derrubar a parede. Mesmo se tivessem, seria um desperdício. O muro fica melhor assim, em pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marié encontrou uma tábua perto do lixo, o que era muita sorte, já que aquele era um dia de lixo molhado. Molhado não, se diz orgânico. Ok, já temos tudo: uns aos outros e a tábua. Eu pensei: a gente pode jogar a tábua e acertar a cabeça de alguém do outro lado com ela... Eu também pensei: a gente pode usar a tábua p'ra cavar um túnel subterrâneo e atravessar o muro por baixo... E o Pedrinho perguntou: porque a gente não encosta a tábua assim, enquanto alguém sobe nela e vê o outro lado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi unânime a decisão que quem subiria era eu. Eu sempre fui muito magrinho e isso também pode ser lido como levinho. Eles entrelaçavam os seus dedos, como se formasse um estribo, onde eu colocaria meus prematuros all-stars e seguiria com um passo para o alto da tábua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era o maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os pés no degrau que a tábua fazia encostada no muro e com as mãos no topo desse, que meu nariz não alcançava, eu fazia força com os braços. Os braços me levariam até a visão que eu pretendia ter. E eu estava certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do muro, pessoas arrumadas corriam por um jardim estranho. A comemoração era em torno de um casal de meninos. Havia um lago onde gente cantava com roupas nas mãos. Havia uma casa de madeira onde gente dançava outras músicas. Havia uma fogueira onde gente batia palmas. Havia jóias nos pulsos de toda gente. Havia um muro que eles cobriram com árvores e arbustos. E havia meu nariz ali plantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus braços não agüentariam muito tempo. Antes de desabar com tábua e tudo, a senhora mais velha me piscou o olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí? E aí? O que que tu viu lá? O resto... O resto? Lixo? É... Hã... Lixo, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que era um terreno baldio. Eu te falei, trouxa. Meu pai tinha razão, já que tu não tem pai, tu devia ouvir o meu. Tá, mas, e os barulho? Os barulhos devem ser de cachorro, de rato, sei lá. Vambora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto era o restante. A cultura que a cidade marginaliza e o muro esconde. Eu falei isso, na verdade, eles que não entenderam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116205090154939987?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116205090154939987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116205090154939987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/10/o-muro_28.html' title='O Muro'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116205069329237832</id><published>2006-10-28T08:48:00.001-07:00</published><updated>2006-10-28T12:12:45.436-07:00</updated><title type='text'>Os Muralistas</title><content type='html'>Os Muralistas expunham suas idéias com as mesmas convenções artísticas que aqueles da tela e cavalete. O que diferencia os Muralistas desses, é a temática social, seus ideais e sua ousadia de ter suas obras vinculadas longe das grandes galerias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mexicanos, por estarem exatamente na divisa, tinham uma visão certeira do que beirava o futuro. Estados Unidos, esquecimento das raízes indígenas, valorização da cultura estrangeira. Nos murais, a realidade era forte e contemplável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo para esse movimento acontecer é a sobra da Revolução que aconteceu no país. Uma revolução que elevaria os camponeses explorados, escravos ou com salários irrisórios, para um patamar superior. Zapatistas lutavam pelos seus direitos e o governo mexicano se sentia oprimido. Mudava a lei e daria ao trabalhador do campo mínimas condições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a mínima condição era pouco para os Muralistas, que transformaram a Revolução em uma causa artística. Murais eram pintados em locais diversos, igrejas, escolas, museus ou palácios do governo. Sempre retratando o povo, o popular, essas obras contestavam valores e eram vistas como comunistas pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os Muralistas três grandes nomes são levados em conta: Rivera, Orozco e Siqueiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diego Rivera é o mais conhecido dentre os três. Estudado na Europa, foi por mim descoberto através do filme "Frida", que retratava a vida de Frida Kahlo, sua esposa. Com temáticas inteligentes, seus traços parecem bastante influenciados pela escola européia, detentora do bom-gosto no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homenageado da 4a Bienal do Mercosul, José Clemente Orozco trabalha bem a brutalidade em sua obra. A realidade não é bonita, mas ela precisa ser exposta em murais. O mundo precisa ver, não apenas conterrâneos de América Latina. A obra é estrategicamente bruta e rude. O que, dentro do contexto, a torna agradabilíssima à percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfaro Siqueiros é o terceiro e não menos importante artista plástico. Não estava ligado à história mexicana com sua temática, como Orozco e Rivera, seu interesse era apenas a modernidade, a luta de classes, o futuro México. Sua obra é muito voltada para a geometria de peças, embora ainda representativa, o que é uma visão bastante moderna ao se tratar de início de século 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116205069329237832?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116205069329237832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116205069329237832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/10/os-muralistas_116205069329237832.html' title='Os Muralistas'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116097996881050440</id><published>2006-10-15T23:25:00.000-07:00</published><updated>2006-10-15T23:51:48.616-07:00</updated><title type='text'>Algo nessa noite precisa brilhar</title><content type='html'>Escolhe o modelo sem vê-lo. Pintura. Pinta de vermelho seu beijo. Censura. Ouve conselhos e apelos. E arruma. Na frente do espelho o cabelo. Que apluma. Noites, pesadelos e sonhos. Perfuma. E os leva p'ra rua sem zelo. E, assim, os acostuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha intenção não era fazer você se apaixonar de novo, nem tento. Me contento com as três sensações de ti:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O preto do teu vestido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colar com os meus dentes. Quando era a dona de meu sorriso. Sorriso de fim-de-tarde, sombra das árvores, outros risos poentes e a lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua que eu te dei e espero que você me devolva, algo nessa noite precisa brilhar. E, saiba, eu ainda tô na tua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...comunidade. E, de verdade, para sempre pretendo estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116097996881050440?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116097996881050440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116097996881050440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/10/algo-nessa-noite-precisa-brilhar.html' title='Algo nessa noite precisa brilhar'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116097991637984026</id><published>2006-10-15T23:23:00.000-07:00</published><updated>2006-10-15T23:25:16.380-07:00</updated><title type='text'>Plutão</title><content type='html'>Plutão não é mais o planeta que era. Plutonianos não se conformam com as mudanças que ocorrera de um tempo p'ra cá. E isso foi crucial para desintegrar uma realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Astronomia estava errada. Plutão não era o último planeta do Sistema Solar. Era minúsculo demais para tal. Tudo que aprendi sobre Astronomia, até então, é questionável. Não sei, também, se um dia o homem chegou à Lua. Sei que, em teorias, ele já tem todo o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plutão não é mais o planeta que era. Não é por estar longe que seria esquecido. Não faz mais parte do Sistema Solar, ou seja, perde a chance de ser planeta-sede das próximas Olimpíadas Interestelares. Uma pena, realmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem perde com isso é a Astrologia. Somos nós, de Escorpião, que ficamos sem ao menos um regente digno. Leoninos são regidos por uma estrela, cancerianos por um satélite natural e escorpianos, agora, por um ex-planeta. O primeiro ex-planeta entre bilhões e bilhões de anos. Não se esqueça de me dar parabéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116097991637984026?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116097991637984026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116097991637984026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/10/pluto.html' title='Plutão'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116097977566551156</id><published>2006-10-15T23:22:00.000-07:00</published><updated>2006-10-16T01:37:13.270-07:00</updated><title type='text'>A Marilene</title><content type='html'>Pai, a Marilene vai embora. Puta-que-pariu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marilene era a empregada que o pai contratara para inaugurar o filho. Dezesseis anos, só queria saber de Internet. Dezesseis anos e não havia se interessado ainda por meninas. Nem por meninos. Nem por revistas, canais ou putaria na web, nada. O guri era um caso grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marilene foi escolhida a dedo pelo pai. Não bastava ser uma boa empregada, precisava ser uma mulher que desse ao filho já uma boa auto-estima para a vida. E isso não seria qualquer uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, é casada? Sou, sim, senhor. Ok, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, é casada? Co o Jerônimo e temo cinco filio. Ok, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, é casada? Não, graças ao meu senhor, Jesus Cristo! É religiosa? Religiosa não, espiritualista! Ok... Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, é casada? Não, nem tenho namorado... Não? Não. Marilene, 20 anos e bonita. Vinha de uma cidade do interior chamada Cabritinho. Sou de Cabritinho, perto de Curió, sabe? E tinha um sotaque muito peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O plano é o seguinte, faça meu filho um homem e eu te pago p'ra não trabalhar. Feito. O guri tinha cara de besta mesmo, não seria difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira semana, nada. No primeiro mês, tampouco. Estava difícil... Eram oito meses se fresqueando p'ro guri e nenhum resultado. Nem quando saía do banho só de toalha, ele a olhava. O que tem de errado aí, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela já estava até desistindo. Enfim, ele deve gostar de outras coisas, acontece. Ela já passava o aspirador de pó pensando em Cabritinho. Havia deixado coisas inacabadas em sua cidade. Talvez fosse melhor voltar. Até que o guri desgruda do computador e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faz de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que tu fez p'ra passar o aspirador no canto de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela dava um sorriso. Feliz, se agachava para chegar ao canto de lá, como havia feito anteriormente, sua micro-saia mostrava 3/4 de bunda e o menino do computador via tudo aquilo satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pronto. (ria boba) Deseja mais alguma coisa? - perguntava oferecendo-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, tá bom, pode ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu ela furiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116097977566551156?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116097977566551156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116097977566551156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/10/marilene.html' title='A Marilene'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-116097972456695707</id><published>2006-10-15T23:21:00.000-07:00</published><updated>2006-10-16T00:28:27.533-07:00</updated><title type='text'>O cara que escreve</title><content type='html'>Se não fosse o cara que escreve, me perguntaria: quem é esse, que sempre contradiz o cara que escreve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei. Ao me conhecer pessoalmente, vejo que não tenho a mínima graça. Não que ao escrever tenha. Mas, pelo menos, busco encantar alguém de alguma forma. O cara que escreve tem um problema. O que não escreve tem dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara que escreve, na verdade, é uma criação. Somente mais uma criação fraca e malsucedida. Seu trabalho é mostrar o lado errôneo e pouco heróico de alguém. No caso, ele mesmo. Ele, que, na verdade, é o mesmo que eu. A verdade acabou vazando por tudo e tudo que é escrito hoje o descreve. Resgatar fundos escuros de um caderno de linhas tortas já foi uma proposta, hoje é regra. Não importa a validade do caderno, dos fundos e das linhas, o cara que escreve se repete mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que não escreve não tem o que repetir. É tão sem-graça que chegam a ser cinza seus domingos. Que se vê num lugar onde nunca estivera. Que, por onde caminha, não encontra arco-íris, mas sempre acreditou saber onde este ficava: lá do lado de lá dela, que escreve bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-116097972456695707?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116097972456695707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/116097972456695707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/10/o-cara-que-escreve.html' title='O cara que escreve'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115964616665287695</id><published>2006-09-30T12:52:00.000-07:00</published><updated>2006-09-30T13:08:15.510-07:00</updated><title type='text'>O Sobrevivente</title><content type='html'>Mãos à cabeça, muita dor. De manhã, uma cotidiana enxaqueca. E a cura, sabia, estava num fundo falso de gaveta. Uma arma de fogo, um relógio e um recibo. Arma de fogo, era isso. Somente um tiro na testa e, pronto, estaria vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvia passos na escada. E, ao ver, havia roupas pelo chão. Calcinhas, gravatas e broches, um deles era uma lembrança de seu décimo aniversário. Havia um paletó marrom-sujeira, também, sedento por sabão. E muitas crianças brincavam de voar sem asas ali, da ponta da luminária até o deslize do corrimão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa, um cogumelo dourado boiava no preto morfético do café, que não beirava uma xícara e havia raiz e terra na colher. Na mesa, sua filha lhe vendia apólices de seguro. Não pense apenas nos seus filhos, também pense em seu futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grito vinha do armário da louça. Da louça, nada se escutava. O que gritava era a carta debaixo do saleiro. Uma carta consolo. Uma carta consolo que dizia aberta, sem nenhuma novidade: busque, enquanto vivo, homem, a tua felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115964616665287695?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115964616665287695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115964616665287695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/09/o-sobrevivente.html' title='O Sobrevivente'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115964596267760029</id><published>2006-09-30T12:50:00.000-07:00</published><updated>2006-09-30T13:05:00.903-07:00</updated><title type='text'>Toalhas dobradas em rolinho cabem na mochila</title><content type='html'>Pegou a mochila de pano? Essa aqui? Dentro da sacola da Renner? Ah, mas é que essa mochila é horrorosa... Tá. Ela tirou a mochila de dentro da sacola e a pôs sobre a cama. Isso aqui a gente leva com a gente ou vai no bagageiro? Não sei, eu pus umas bolachas recheadas aí dentro. É, então vai com a gente. Tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dobra bem essas toalhas, assim ocupa muito espaço. Dobro assim? Não, assim... Guarda-chuva em acampamento? Não é um guarda-chuva, é uma sombrinha. Mas não se leva sombrinhas p'ra acampar. E se chover? Se chover, eu tomo banho de chuva contigo. Grande vantagem, sou mais a sombrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu acha que vai ser legal? Claro que vai ser legal, eu vou estar contigo, não importa o lugar, não tem como ser ruim. Oh, que meiguinho! Meiguinho é boa... Claro que vai ser legal, não tem porque não ser, né? Nunca acampei antes, sabia? Em tom irônico. Eu imaginava. Imaginava como? Tu tem um pouco jeito de quem nunca acampou antes... Faz careta, sai andando e leva um tapa no braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu esqueci a nécessaire no banheiro da casa da tua mãe! Ah, agora não dá mais tempo. E o que vamos fazer? Compramos tudo em algum supermercado por lá, deve ter. Ai, eu sou uma avoada mesmo. Cabecinha de vento. É... Sorriem bobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115964596267760029?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115964596267760029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115964596267760029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/09/toalhas-dobradas-em-rolinho-cabem-na.html' title='Toalhas dobradas em rolinho cabem na mochila'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115964584366284307</id><published>2006-09-30T12:46:00.000-07:00</published><updated>2006-10-14T14:53:57.753-07:00</updated><title type='text'>5f</title><content type='html'>Bar. Bar. Cerveja. Amigos. Amigo do amigo. Amigo da amiga do amigo. Amiga da mãe que finge que não vê. Amigo chato que relembra algo preferencialmente esquecível. Amiga do amigo da amiga. Conversa vai e vem pelos mesmos orifícios. Cerveja, cerveja, cerveja. Geraldo Alckmin para presidente, que acham? Ah, por favor, essa não é a hora... Descontração total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aí, Serginho, por falar em essa não é a hora, tua ex-mulher é minha colega de setor no DERGS!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pára tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Kátia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arrã, ela fez concurso há pouco e passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, não pode, a Kátia era uma anta em matemática. Ela nunca passaria em um concurso que matemática fosse uma exigência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah... Sei lá, Serginho, sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me conta direito isso! E vocês se falam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, oito horas por dia dividindo o mesmo espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risada geral na mesa. Amigo do amigo do primo malicia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês falam sobre o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sobre... Sei lá, Serginho. Sobre as coisas que se fala. Sobre o trabalho no setor, principalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei, muito que vocês devem trabalhar num setor que a Kátia faz parte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, Serginho, calma aí, a guria é esforçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Esforçada', para o amigo do amigo do primo, era praticamente um gol do Inter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, que mais vocês falam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, Serginho, sei lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês falam sobre mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesa já faz um "ih...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela não fala nada sobre mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Serginho, nem fala...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era visível que ele estava mentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É visível que tu tá mentindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, Serginho, ela fala, sim... Ela disse que te amou demais, mas que tu tem muito que crescer ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Crescer, eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela acha que, se tivesse casada contigo hoje, nunca conseguiria tudo isso que conquistou. E ela disse que teu grau de inteligência é 5f também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 5f?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 5f.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, tu sabe... Cinco, número. F, letra. Acho que a sexta do alfabeto. Numa escala de um a dez, um número mediano. E de A a J, F não seria uma letra diferente... Conforme o que ela disse, o número 5 indica o grau de contentação dela com a tua inteligência. Diz que tu fala meio errado às vezes. Fala o que não devia em horas próprias para o silêncio. Prejudica-se, enfim... E a letra F seria o teu retrato para essa sociedade exigente que hoje convivemos, sabe? Desinteressante. Monoglota. Poucas faculdades, muitas bebedeiras. E nada de carisma... Isso . Entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 5f...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 5f.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5f era inaceitável. Saiu daquele bar derrubando mesas e casais. Com aquela merda de teste de QI na mão, com as palavras da mulher que ama e hoje o despreza, com as piadinhas que ouviu dos melhores amigos de uma sexta-feira à noite, olhava p'rum horizonte mediano e repetia em voz alta. Eu não sou um medíocre, eu não sou um medíocre, eu não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115964584366284307?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115964584366284307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115964584366284307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/09/5f.html' title='5f'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115964560247558909</id><published>2006-09-30T12:45:00.000-07:00</published><updated>2006-09-30T12:46:42.486-07:00</updated><title type='text'>Pela Estrada Afora</title><content type='html'>Uma cruz, três marias, dois irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cruz, três marias, dois irmãos. Uma pedra, dois caminhos, três percalços. Três corpos, dois relembram uma oração. Dois mortos, nenhum vivo e um cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma carta, um alento e um coração. E a correnteza leva a folha mar abaixo. É virtude, é enfermo e é velado o coração que se detém desenganado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, por favor, não puxe o gatilho. Por gentileza, não provoque o disparo. Um amigo é uma tenda no caminho que, por ser amigo, não lhe nega seu amparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não condene a vida dos outros nem espere que alguém te siga, a diferença é um dom para poucos. É a liberdade que o respeito lhe abriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o coração? Um órgão direito que à esquerda do peito bate o gostar. E o amor é social em seu conceito: mendigas juras, mas que aceito por amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cruz, três marias, dois irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115964560247558909?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115964560247558909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115964560247558909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/09/pela-estrada-afora.html' title='Pela Estrada Afora'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115550467067968200</id><published>2006-08-13T14:30:00.001-07:00</published><updated>2006-08-13T14:31:10.680-07:00</updated><title type='text'>Dois Setembros</title><content type='html'>Eu te encontrei tão bonita&lt;br /&gt;Você espantava a morte&lt;br /&gt;Com seu sorriso de vida&lt;br /&gt;Com seu hálito forte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te dei uma flor&lt;br /&gt;Eu te dei minha sorte&lt;br /&gt;Eu te dei meu amor&lt;br /&gt;O meu norte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te dei minha paz&lt;br /&gt;Eu te dei o meu tempo&lt;br /&gt;E não te dei nada mais&lt;br /&gt;Que dois setembros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te quis tão sozinho&lt;br /&gt;E você que só queria&lt;br /&gt;O pedaço de meu caminho&lt;br /&gt;Que feliz eu te daria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje eu morri por você&lt;br /&gt;Hoje eu morri por um qualquer&lt;br /&gt;Que você jurou esquecer&lt;br /&gt;Com as tuas certezas de mulher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115550467067968200?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115550467067968200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115550467067968200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/08/dois-setembros.html' title='Dois Setembros'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115550463782573395</id><published>2006-08-13T14:30:00.000-07:00</published><updated>2006-08-13T14:30:37.826-07:00</updated><title type='text'>Chão de Todos</title><content type='html'>Conduzi o barco vindo de longe, lusitana Ilha de Açores. Contra tempestades, contra-tempos, muita dificuldade em atracar. Vimos brilhar a estrela nesse chão de todos os sabores e avisaste aos homens dali:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É por aqui que nós vamos ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limpei o que não era bendito. Negociei com aqueles Senhores, que tinham secreto p’ra si: o sucesso da terra, como será? Trabalhávamos o dia todo. Revelávamos nossos pudores e a falta de coragem em silêncio é só o que tínhamos a enfrentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz das tuas lágrimas, lagoa. De teu perfume, raras flores. Das tuas certezas, estações. E a tua bravura era o que iríamos cultivar. Sempre soubeste lutar pelo teu povo, contra seus passados e dores, mas o tempo passou traiçoeiro e, nisso, minhas mãos não puderam tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linda, se tornaste borboleta, alegria, arco-íris, sol, outras cores. O belo da tua vida reflete no ferro e mostra aos novos o que se deve trilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou agora Pai, Filho ou Espírito Santo, sou um desses Grandes Criadores, saudoso pela imortalidade e feliz, satisfeito, contente por nosso lar. Gigante, graças ao horizonte, onde viram capital, os laçadores... Encha-me de orgulho, terra viril que os Senhores souberam abençoar, e grite aos quatro cantos desse Brasil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou Porto Alegre e homem de um só lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115550463782573395?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115550463782573395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115550463782573395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/08/cho-de-todos.html' title='Chão de Todos'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115550460650369488</id><published>2006-08-13T14:29:00.000-07:00</published><updated>2006-08-13T14:30:06.503-07:00</updated><title type='text'>Debute</title><content type='html'>Em cores mil. Em tons de gris. Um bordado eu fiz para te ver vestir. Um festejo feliz, um dançar com outro par. E a minha mente estará no teu vestido a rodar. Pela dança ou salão. Pela valsa ou luar, uma mulher só te imaginará. Sem o traje, faceira. Sem as vestes, desnuda. Com os olhos em mim e eu com olhos em tua nuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sente no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te comendo inteira. Te chamando de puta. Se fazendo casal, no teu corpo, a água e o açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cala na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115550460650369488?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115550460650369488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115550460650369488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/08/debute.html' title='Debute'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115550457245280532</id><published>2006-08-13T14:28:00.000-07:00</published><updated>2006-08-13T14:29:32.463-07:00</updated><title type='text'>Soberana sobre dramas</title><content type='html'>Para você que está acordando agora, bom dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sexta-feira, são sete horas, em Porto Alegre faz sol. E aqui no Morro Santa Teresa, a temperatura é de catorze graus. Mais uma semana termina e nela o amor se faz de lição... Eu soube do choro pelas palavras que maltrataram teu coração... Soberana sobre dramas, essa próxima canção foi feita p'ra ti. Como desculpas. Com todo apreço. Não desligue teu rádio e nem pense em dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanta da cama e presta atenção. Saiba que ele te ama e está no portão. Se duvida, olhe pela persiana, mas vista um blusão... Pois catorze graus é toda a frieza do mundo se comparado ao dia que vocês terão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115550457245280532?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115550457245280532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115550457245280532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/08/soberana-sobre-dramas.html' title='Soberana sobre dramas'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115412950975364389</id><published>2006-07-28T16:31:00.000-07:00</published><updated>2006-07-28T16:42:17.686-07:00</updated><title type='text'>Sol</title><content type='html'>A cidade que eu te vi nascer é essa. Tu fizeste brilho. Foste a coisa mais linda que aconteceu naquela manhã. E eu me enchi de felicidade por aquilo. Agora tudo será mais claro, mais caloroso e mais seguro. Espero sinceramente que nunca mais nos abandone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou que volte em breve, senhor compromissado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115412950975364389?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115412950975364389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115412950975364389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/07/sol.html' title='Sol'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115412948074751646</id><published>2006-07-28T16:28:00.001-07:00</published><updated>2006-07-28T17:22:35.803-07:00</updated><title type='text'>Eu nunca voei</title><content type='html'>Ele está na merda e pensando bem alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu possa voar agora. Por que não poderia? Talvez eu possa voar. Foram tantas as desilusões e as lágrimas, foram tantos os pecados e as condenações, as misérias e as conseqüências, as preguiças e minha inércia, que alguém irá me retribuir com um vôo. Um vôo só. Ah, não é demais. Enfim... Se Deus é justo, então eu poderei voar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, como um delinqüente, ele se prepara para o vôo na janela, não olha para baixo, já conhece bem o que há p'ra lá. Faz um gesto como se fosse uma preparação habitual - embora não haja habitualidade ali. Afinal, ele nunca voou. Ninguém nunca voou. Nem irá voar. Nunca. Jamais... Suas pernas estão pregadas no chão, esperando sua cabeça, que não voa, cair do pé, de tão madura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115412948074751646?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115412948074751646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115412948074751646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/07/eu-nunca-voei.html' title='Eu nunca voei'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115412932415853376</id><published>2006-07-28T16:28:00.000-07:00</published><updated>2006-07-28T16:36:28.563-07:00</updated><title type='text'>Retrato</title><content type='html'>A sua foto é assim: você está deitada na cama, vestida, olhando para a câmera. Bem vestida, inclusive. Tão vestida que teu olhar sensual me causa fantasias. As poucas roupas poderiam me deixar sem o que imaginar. Embora eu duvide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto não tem cor nenhuma, as cores são subjetivas. Tu sabe que eu a coloro sem nem perceber que faço, né? Pois é, eu sou assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A textura da fotografia é bem interessante. Ela está na cama, ela está na pele, ela está nos teus lábios, ela poderia me absorver para dentro dela, de tão vazia. Texturas são um perigo, ainda mais quando nossa intenção é ser feito de algodão em quadradinhos de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contrastes não são tão interessantes. De um lado, eu caminhando por uma rua sem saída com uma fotografia sem cor na mão. Do outro, você deitada onde eu realmente não importaria de agora estar. O contraste perfeito é um fado, um violeiro que ganha com uma canção a princesa lisboeta em um conto de fadas. Contrastes em um livro de gravuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia da foto também não é boa. É você. Olhando para mim. Do mesmo jeito que olha em todas as fotografias para todas as pessoas. Você tem um silêncio ao seu favor e esse silêncio é quase uma ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais incrível que pareça, o melhor dessa tua foto aqui sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tu soubesse como eu te deixo tão bonita em retratos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115412932415853376?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115412932415853376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115412932415853376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/07/retrato.html' title='Retrato'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115412929144440685</id><published>2006-07-28T16:27:00.000-07:00</published><updated>2006-07-28T16:56:20.246-07:00</updated><title type='text'>Roteiro de um filme B</title><content type='html'>- Acho que só tenho uns três mil cruzados no bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mostra as moedas antigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu sabe que isso não serve p'ra nada, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recolhe as moedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hmmm... A moeda é outra, cara. Estamos em 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em 2007? Oh, não! Acho que estou perdido no tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115412929144440685?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115412929144440685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115412929144440685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/07/roteiro-de-um-filme-b.html' title='Roteiro de um filme B'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115328008693069965</id><published>2006-07-18T20:33:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T21:14:49.690-07:00</updated><title type='text'>O velho tosse</title><content type='html'>O velho tosse na varanda&lt;br /&gt;Nuvens negras trazem chuva&lt;br /&gt;Chuva&lt;br /&gt;Chove o dia todo&lt;br /&gt;E o vento traz a onda&lt;br /&gt;Que embaça a vista&lt;br /&gt;Velha&lt;br /&gt;Vendo o vento&lt;br /&gt;A velha põe um manto&lt;br /&gt;Sobre um homem santo&lt;br /&gt;Velho&lt;br /&gt;Horizonte é o ponto&lt;br /&gt;Que começa o céu&lt;br /&gt;E termina o mar.&lt;br /&gt;O ponto exato&lt;br /&gt;Onde teus olhos podem descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115328008693069965?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115328008693069965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115328008693069965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/07/o-velho-tosse.html' title='O velho tosse'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115328000796061335</id><published>2006-07-18T20:32:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T20:36:06.876-07:00</updated><title type='text'>O Silêncio Edukador</title><content type='html'>Silêncio é uma palavra de diferentes significados e interpretações. Para alguns, angústia, um vazio, uma ausência. Para outros, um luxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhos tempos. O silêncio é considerado um luxo, nos dias de hoje. O cotidiano é bombardeado de sons, músicas, jingles, locuções, palavras de comando, telecomunicações, abordagens, alarmes, ruídos de motor, sirenes, buzinas e sinais de alerta. O cotidiano é bombardeado pelos sons que precisamos escutar. Pelas imagens que necessitamos ver. Pelas sensações que devemos sentir. Pelas promoções que não podemos deixar de conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o silêncio, não. O silêncio está na outra ponta. Num outro tempo. No momento onde optamos por nos abster de toda e qualquer necessidade atual. É um tempo onde podemos nos ouvir e onde podemos nos encontrar. Ele é sincero. O silêncio significa estar sendo cru, sem palavras de consolo ou moral da história. E isso, realmente, pode ser angustiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em produções audiovisuais, a crueza que o silêncio proporciona é explorada a fundo. Filmes comerciais ou realizações cinematográficas utilizam o silêncio como uma arma que desenvolve a dramaticidade ou a seriedade da cena – inclusive, estão se tornando freqüentes também cenas que não trabalham com o visual, apenas com o áudio. É quando o diretor procura aguçar outros sentidos junto ao público, descartando aqueles antes imprescindíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi um filme alemão do ano de 2004 para me focar melhor nessa idéia de utilização do silêncio em produções audiovisuais. Esse filme alemão se chama "Edukators". "Die Fetten Jahre Sind Vorbei", título original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edukators é um filme bastante importante para mim. Pelo seu conteúdo político, pelo seu formato alternativo, pela sua linguagem juvenil. Político, juvenil e alternativo, o filme me apareceu no momento onde minha cidade abrigava o evento perfeito para que cada um desses conceitos existisse, um Fórum Social Mundial. E esses conceitos não me abandonaram até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se da história de três jovens idealistas (Jan, Jule e Peter) e a busca pela propagação de suas idéias contestadoras. Jan e Peter são grandes amigos e formam um grupo de protesto chamado Os Edukadores. Peter e Jule são namorados. Jule e Jan não se conhecem direito. E todos mantêm seus ideais esquerdistas na ponta da língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como forma de protesto, Os Edukadores invadiam secretamente algumas das maiores mansões da Alemanha e mudavam os móveis e a decoração das casas de lugar. Mudavam os móveis e a decoração das casas de lugar sem roubar ou danificar nada. Deixando ali somente um aviso. Um envelope. "Liest", leia. Dentro desse envelope, frases de protesto. "Você tem dinheiro demais” ou “Os seus dias de fartura estão contados". O êxito da operação é ver o resultado no caderno policial de jornais diversos de seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Jan confessa essas ações para Jule, ela o questiona sobre o porquê disso e ele, de forma sucinta e racional, lhe diz que o maior terrorismo é o terrorismo psicológico e sorri ao imaginar um desses grandes magnatas em uma fila de banco com uma frase ecoando em sua cabeça, você tem dinheiro demais. Você tem dinheiro demais. Uma das cenas mais incríveis da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trama se desenrola quando Jule resolve participar de um desses protestos. Junto de Jan, age como se fizesse parte d'Os Edukadores, invadindo a casa de um dos homens mais poderosos do país e detentor de uma antiga dívida dela. Mas eles acabam cometendo um erro grave, esquecem o celular da moça na casa. No dia seguinte, quando voltam ao local para rever o aparelho, se deparam com Hardenberg, o dono da mansão. Não há música para esse momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio é um grande aliado para os momentos de tensão de Edukators. Não apenas pelo texto que é bastante forte e questionador – já que trata de diferentes pontos-de-vista de inúmeros problemas sociais –, mas também pela condução minuciosa da narrativa. O próprio início do filme mostra bem isso. O primeiro minuto inteiro é silencioso. Câmeras de segurança mostram uma casa com mesas de cabeça para baixo, estatuetas na piscina ou sofás empilhados um sobre o outro. Até que uma família bem arrumada abre a porta e se depara com sua casa naquele estado. Depois de notarem que está tudo ali, o filho encontra um envelope que o pai abre e lê. Entra uma música rápida e forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No filme, a idéia política, juvenil e alternativa não está só no enredo ou na fotografia, também está na trilha sonora. Trilha sonora. Uma trilha sonora é construída por músicas escolhidas ou compostas para ilustrar um objeto cinematográfico ou um programa televisivo. Em Edukators, grandes nomes do rock alternativo (ou indie-rock) estão presentes, como Depeche Mode, Placebo, Nada Surf, Jeff Buckley, Franz Ferdinand, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música que aparece nessa abertura e, posteriormente nos créditos do filme, se chama “Gemini”, de uma banda norte-americana chamada One Inch Punch. Vinhetas modernas e caracteres despojados casam perfeitamente com o som da banda que mescla um estilo punk rock com batidas eletrônicas agressivas. Fórmula essa que é utilizada por outros nomes da trilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gosto musical dos protagonistas também é exposto no filme, e podem os unir ou os distanciar, como o beijo que acontece entre Jan e Jule depois de descoberto a mútua admiração pela carreira solo do guitarrista Jeff Cole. Ou também a briga entre os dois Edukadores por ter um deles posto a todo volume uma música de industrial, enquanto o outro estava na cama com a namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando à narrativa: ao se deparar com Hardenberg, o dono da mansão invadida, o bando resolve seqüestrar o homem, levando-o até uma casa de campo, um lugar onde estariam a salvo da polícia e onde o silêncio predominaria. Para eles, naquele momento, um luxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa casa de campo, os quatro vivem situações marcantes no script: um triângulo amoroso, uma convivência pacífica entre seqüestradores e refém, uma fotografia completamente diferente da antes moderna e urbana, discussões sobre o futuro, da economia, do país, dos subdesenvolvidos, da vida, dos três, do milionário. Nessa parte do filme, o silêncio predomina. Um silêncio desconfortante que salienta as pequenas ações e olhares dos personagens. É onde “Edukators” se torna sério, torna-se um drama psicológico e deixa de ser uma aventurinha modista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desentendimentos acontecem, Jan e Jule assumem um relacionamento e Peter se vê desolado. Os dois brigam e Peter decide por abandoná-los, embora depois retorne bêbado. Essas cenas contrastam com os acordes bonitos de guitarra e também com os versos de uma música de Jeff Buckley que resolvi traduzir e a seguir transcrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bem, talvez haja um Deus lá em cima, mas tudo que aprendi sobre o amor foi em como atirar na pessoa que te desarmou. Não é um choro que você pode ouvir de noite nem alguém que viu a luz, é um frio sofrido. Hallelujah". Dez minutos de "Hallelujah". Música lenta e harmoniosa que também cria o clima de arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio aparece mais uma vez como personagem no final do filme. Edukators termina com os três personagens centrais acordando em um quarto de hotel. Silencioso quarto, lençóis brancos, luxo. E, na próxima cena, eles planejariam desligar as antenas de TV da cidade onde estão hospedados. Silenciar as emissoras locais. Promover sua ideologia. Sem palavras. O silêncio é educador, é um vazio, é uma ausência. Afinal, não se pensa em como conquistar algo quando já se tem tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115328000796061335?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115328000796061335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115328000796061335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/07/o-silncio-edukador.html' title='O Silêncio Edukador'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115327992836179263</id><published>2006-07-18T20:31:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T20:32:08.363-07:00</updated><title type='text'>Nomes</title><content type='html'>Sua companhia lhe fazia bem. Ao menos, pensava assim. Era como se pudesse reinventar o dia, seu sorriso era o sol e o nome dele tinha um significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o olhar contente lhe fazia melhor, olhava-o e dizia qualquer coisa. Qualquer coisa. Poesia. Tudo para ele. Seu nome estaria em seu caderno. Um poema. Tudo para ela. E seria eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, na porta de sua casa, saberia como espalhá-lo à vontade. Amor. Pedaço por pedaço. E a rua, então, se encheria de pedrinhas de brilhante. Para que simplesmente pudesse passar. Com aqueles sapatos de boneca. E aqueles passos de bailarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115327992836179263?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115327992836179263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115327992836179263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/07/nomes.html' title='Nomes'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115327990068732531</id><published>2006-07-18T20:29:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T21:00:33.763-07:00</updated><title type='text'>A primeira nota que entoa</title><content type='html'>A primeira nota que entoa&lt;br /&gt;Silencia quem não ouvia&lt;br /&gt;Os apelos do lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cessam-se as luzes&lt;br /&gt;E, por detrás de uma seda branca, surge&lt;br /&gt;O anúncio de espetáculo que irá ali se desfrutar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como mágica, uma menina agiganta-se a cada metro&lt;br /&gt;E faz, daquele pouco palco, uma casa p’ra morar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há limites ou paredes&lt;br /&gt;Pisa sisuda, seu chão é o céu&lt;br /&gt;Tudo é música, poesia e deleite&lt;br /&gt;E seu nome estava escrito num papel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nome num papel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última nota que soa&lt;br /&gt;Soa ecoante e certeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N’um instante, fecham-se repregadas cortinas&lt;br /&gt;Dá-se fim, então, o recanto das bailarinas&lt;br /&gt;Contando-nos que o espetáculo morreu,&lt;br /&gt;Como morre o dia todos os dias,&lt;br /&gt;no cansaço que o escondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115327990068732531?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115327990068732531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115327990068732531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/07/primeira-nota-que-entoa.html' title='A primeira nota que entoa'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115004824891136332</id><published>2006-06-11T10:50:00.000-07:00</published><updated>2006-06-11T17:05:49.533-07:00</updated><title type='text'>O Dia dos Namorados e seus Comunicadores</title><content type='html'>Uma amiga me disse um dia desses, “eu posso passar o ano inteiro sozinha, mas, no Dia dos Namorados, eu não admito!”. Pensei: bacana, ela entende mais de Comunicação Social que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É até engraçado, a cada dia 12 de junho, as mesmas armas são utilizadas como um mesmo objetivo de um mesmo marketing específico. Ciclicamente. Ano a ano. Mas não é novidade que estejamos mais românticos nesse mês. Não é novidade também que sintamos mais carência afetiva. É bastante comum até reavaliarmos alguns conceitos. Afinal, estamos aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu ver, o Dia dos Namorados, como objeto publicitário, representa a fragilidade de uma linguagem antes eficiente, é como se ele representasse a nudez da persuasão. Se existe um público-alvo, ele deve estar dizendo agora, “e lá vou eu cair de novo...”. Parece ser a necessidade gratuita mais presente em nossas vidas. Quando uma mídia de massa te desmascara, você tem um problema. Quando acontece o contrário, o problema é coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis um dia que não existiria, de forma alguma, sem os redatores-poetas e seus floristas-diretores de arte. Nos Estados Unidos e em diversos países europeus, a data leva o nome de Valentine’s Day, uma homenagem a São Valentino, padre que foi executado por promover o matrimônio e a vida em família ao exército romano - esse proibido de se casar - durante o Império. Porém, no Brasil, a origem da comemoração já não é tão cristã. Em 1949, a marca Clipper encomendou a uma agência de publicidade chamada Standard uma campanha que visasse enaltecer seu comércio no mês de junho, considerado o pior mês de vendas do ano, até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgido o dia, a premiação. Após a premiação, a tendência. Logo depois da tendência, o gosto popular. E, assim, o dia mais apaixonado do calendário reafirma sua origem mercadológica. O casal do outdoor é muito convincente: ame alguém e tenha tudo. Ou espere ganhar de presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Dia dos Namorados para todos. E, se estiver sozinho 12 de junho, adote o estilo mais patriota. Ou simplesmente não ouça a propaganda que vive fora de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115004824891136332?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115004824891136332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115004824891136332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/06/o-dia-dos-namorados-e-seus.html' title='O Dia dos Namorados e seus Comunicadores'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-115004820150063244</id><published>2006-06-11T10:44:00.000-07:00</published><updated>2006-06-11T10:50:01.516-07:00</updated><title type='text'>O Marketing de Guerrilha</title><content type='html'>Quando uma arte dita essencialmente urbana invade galerias, rádios populares e desfiles de moda, é sinal de que estamos tratando de uma linguagem extremamente contemporânea. O que antes era apontado como arte marginal, hoje segue como tendência e essa se torna cada vez mais explorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hip hop é um movimento originalmente norte-americano que visa a contestação, o não-elitismo, a novidade. Através de três linguagens particulares, o movimento se tornou febre no mundo todo, principalmente entre jovens de periferia. Essas três linguagens são: o break, o rap (sigla de rhythm and poetry) e o grafite (oriundo do termo “graffiti”, rabiscos). O break é a dança, o rap é a música e o grafite é sua arte na forma puramente gráfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Podemos encontrar inúmeros exemplos do mesmo em uma viagem de carro, trem ou ônibus por uma cidade grande. Muros, portas de garagem, bancas de revista, não há lugar onde os grafiteiros não tenham deixado sua marca. Adotada pela juventude metropolitana, essa marca tem chamado a atenção de comunicadores também. A proximidade com esse público sempre foi intenção desde os primórdios da propaganda e aqui ela parece facilmente se encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o intuito de investir de uma forma inovadora e eficiente em mídia externa, grandes marcas têm apostado nessa linguagem interessantemente despojada. Entre outras, Ellus, Triton e MTV fazem jus ao que se refere diferenciação. Enquanto as duas grifes criam seus outdoors ao vivo com rolos, tintas e sprays, a emissora de televisão explica grafites já presentes no cotidiano das grandes avenidas de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com letras praticamente ilegíveis (como a maioria é), os grafites são “traduzidos” por um cartaz propositalmente branco que se destaca entre as cores do desenho. Esses cartazes funcionam como uma etiqueta de uma exposição de arte, informando apenas o nome da obra. O logo da MTV aparece ao lado do excelente desfecho, “Ninguém entende melhor a língua dos jovens”. A assinatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda um outro caso famoso no país de grafite utilizado como forma de publicidade, “O que tem dentro do copo vermelho?”. Diante de muros espalhados em bairros diversos, esse questionamento foi feito por uma boa parte dos transeuntes das capitais paulista, carioca, baiana, pernambucana e mineira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utilizando-se de um enigma propagandista, a mídia tem sido uma das mais comentadas no meio nas últimas semanas. A divulgação é feita através de um endereço virtual, www.oquetemnocopovermelho.com.br. Nesse endereço pode ser encontrado campanhas feitas por pessoas que aderem à causa. No site, não diz de forma alguma do que se trata a campanha, apenas sua indagação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para espalhar sua idéia e sua homepage, a campanha investiu no chamado buzzmarketing, ou marketing de guerrilha. Buzzmarketing (que ainda é uma novidade no Brasil) seria uma forma de inserção de uma marca na comunicação boca-a-boca. Uma opção de propaganda em meios não-convencionais. Essas propagandas, além de terem um impacto maior diante do consumidor (segundo uma pesquisa feita nos Estados Unidos, cada sobrevivente assiste a 1,5 mil mensagens comerciais por dia), também é eficiente graças ao seu baixo custo em produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a campanha do Copo Vermelho, além de grafites e trabalhos feitos por internautas, blogueiros famosos (formadores de opinião no meio virtual) foram convocados para trazer à tona o assunto e comentar sobre o tema. Festas e eventos do Copo eram divulgados através de links nesses blogs e convites personalizados eram enviados para seus comentadores através da web.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, foi descoberta a causadora desse reboliço todo. “O que tem no copo vermelho?” é uma campanha da Johnnie Walker, uma famosa marca de whisky. É o lançamento de um produto chamado Johnnie Walker Red Mix feita pela agência carioca Espalhe, especialista em marketing de guerrilha e grande incentivadora da arte urbana como forma de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utilizando-se do grafite e do buzzmarketing, uma multinacional consegue movimentar veículos de todo um país através de novas mídias ou novos instrumentos para essa mídia. Foi o dia que o grafite deixou de ser gratuito, como todo formato artístico é, e ganhou uma função mercadologicamente aceita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-115004820150063244?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115004820150063244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/115004820150063244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/06/o-marketing-de-guerrilha.html' title='O Marketing de Guerrilha'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-114326800371636871</id><published>2006-03-24T22:26:00.000-08:00</published><updated>2006-03-24T22:26:43.716-08:00</updated><title type='text'>Rua dos Mal-me-queres</title><content type='html'>Se arrumava para ir ao baile a Margarida, quando avistara dali um rapaz que sorria de nervoso na descida da sua rua, da rua da casa de seus pais. Trazia ele na bicicleta flores. Uma cesta de suas favoritas. Pintava aquela cena com novas cores, solidão, vai embora, dá lugar à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, sua irmã corre da janela aos berros na varanda, ele te ama, ele te ama! E na casa de bonecas, o jardineiro no gramado de crochê com a corda toda também exclama, ele te ama, ele te ama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu para pegar o mais belo batom, na frente do espelho se sorria toda. Era amada e, sabia, isso era tão bom, só não queria fazer papel de boba, porque o Cravo brigou com a Rosa e, como não suportara a separação, refazia-se com namoradas novas, arranjaria p’ra si agora um outro botão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra casa, a vizinha da frente pára o tricô em sua cama, ele te ama, ele te ama! E da sacada da mansão chique, anuncia séria a primeira dama, ele te ama, ele te ama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou em frente à casa a bicicleta.&lt;br /&gt;Fez-se um silêncio que parara a praça.&lt;br /&gt;- Aqui é a casa da Dona Violeta?&lt;br /&gt;- Não, é a casa da flor sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-114326800371636871?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114326800371636871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114326800371636871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/03/rua-dos-mal-me-queres.html' title='Rua dos Mal-me-queres'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-114326795365848299</id><published>2006-03-24T22:24:00.000-08:00</published><updated>2006-03-24T22:25:53.670-08:00</updated><title type='text'>O Escritor de Correntes</title><content type='html'>Saiu de casa com a primeira camisa que encontrou sobre a cadeira e a barba por fazer. Tomou antes um gole do café amargo de anteontem, parecia esquecer que para onde ia só existia café e afazeres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessava correndo na chuva a avenida mais movimentada do centro da cidade. Dava bom dia p’ro porteiro que sempre lhe perguntava aonde iria. Quatro jogos de escada, uma porta no fim do corredor escuro e uma sala de minúsculas dimensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, Luis Fernando, isso são horas? – piada interna, trabalhava com textos e já havia assinado alguns deles com o nome de Luis Fernando Veríssimo, escritor renomado, cuja assinatura lhe renderia uma ótima “divulgação”. Sim, ele trabalhava com textos. Era um escritor de correntes. Correntes são textos de linguagem simples, enviados pela Internet, normalmente indesejados, mas sempre presente em caixas de entrada ou lixeiras de e-mail – confira alguma no seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu trabalho era a chamada “fase 1”, o objetivo, o texto em si. Coisas do tipo, “Cada instante de sua vida é sagrado” ou “O ensinamento do menino que colocava peixinhos mortos de volta no mar e o capitão rabugento que achava isso uma grande bobagem”. Grandes sucessos de Luis Fernando. O dinheiro vinha com o patrocínio de marcas ou da família de desaparecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “fase 2”, as ameaças, era responsabilidade do Jão. Jão era um negralhão forte, 2x2, que já havia sido segurança de casas noturnas da cidade. Muitas casas noturnas. Muitas mesmo. Mas diz a lenda que nunca precisou bater em ninguém, bastava apenas algumas palavras para impor respeito em qualquer um. Sua fama é de nunca errar. E Jão é muito bom com suas ameaças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era horário de almoço. Dois ou três cigarros Marlboro. O escritor de correntes estava sentado em sua cadeira a pensar. Pensava como sua vida mudou de uma hora para outra. Trabalhava em um próspero jornal, era chefe de redação. Sua mãe era viva e seu pai não havia entrado ainda em depressão. Sua casa era grande e pronta para receber crianças. Havia uma mulher que o amava... E eles estavam noivos. Noivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vida não era um mar de rosas, claro, mas não era de todo ruim também. Não era, ao menos, podre, como é agora. Sua sorte foi que o antigo escritor dali tinha morrido e ele pôde continuar seu trabalho. Sorte... Quem lê correntes? Ninguém! Nem ele. Nem ele lia antes de começar a escrevê-las. Ficou pensando como seria sua vida se tivesse encaminhado aquela corrente que recebeu há cinco anos. Antes do desemprego. Se tivesse encaminhado para, pelo menos, cinco amigos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca foi supersticioso, ainda mais com quem joga pragas dizendo saber de “todos os seus passos”. Baboseira, óbvio. Mas talvez fosse hoje um colunista, estivesse casado, fosse pai e passasse um dia das crianças junto de uma família de verdade. Talvez a culpa seja dele. Talvez toda a culpa seja dele. Talvez tenha toda a culpa da morte de sua mãe. Dirigiu-se ao banheiro do apartamento ao lado – garotas de programa. Soqueou as paredes daquele repugnante lugar. Cortou seus pulsos com uma gilete velha. E se pôs a chorar e a morrer por sua ignorância...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei de todos os seus passos. Eu sei de todas suas dores, sei a quem você ama e sei o que essa pessoa sente por você. Eu sei o que você faz, sei o que deseja e sei o futuro que você terá. Eu sei o que pensa, sei quando não pensa e sei do que pensa de e-mails assim. Mas você tem 15 minutos para enviar esse texto para, pelo menos, cinco pessoas e se mostrar inteligente e preocupado consigo mesmo. Ou será mais uma vítima da má sorte no amor, de uma carreira profissional decepcionante e uma vida vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, acredite, Jão é, realmente, muito bom com suas ameaças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-114326795365848299?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114326795365848299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114326795365848299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/03/o-escritor-de-correntes.html' title='O Escritor de Correntes'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-114081185056558033</id><published>2006-02-24T12:09:00.000-08:00</published><updated>2006-02-24T12:35:23.936-08:00</updated><title type='text'>Maravilha</title><content type='html'>Tomou cuidado ao atravessar a rua. Tomou o remédio p'ra não ficar resfriado. Tomou o ônibus que o deixaria mais próximo. Hoje não poderia morrer. Hoje iria encontrá-la. Hoje não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não te conheço mais!, disse uma amiga que o encontrou no caminho. Pois é, eu estou mudado. Concordaram que sim com o mesmo sorriso... Então tá, vou lá. Então tá, a gente se fala. Então tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bolso, ele tinha uns poeminhas bestas, dinheiro - caso precise de algum para algo na vida - e o endereço do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma avenida escura que passava muitos carros em alta velocidade. Muitos mesmo. De um lado, ficava as casas ímpares. Do outro, as pares. Que incrível! Ficou admirando a numeração da rua, enquanto o dono do bar o olhava. Posso ajudar? Não mais, já se foi o tempo que eu precisava de ajuda. Mas aquele ali precisa, ó. E saiu dono da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa 3326. Numeração par. Então, é do lado de lá. Tocou a campainha. E esperou. Ajeitou o casaco. E esperou. Fez uma pose sexy. Não, essa não. Outra. Isso! Assim... E continuou esperando. Esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que os cachorros latiram, as grades se abriram e ela saiu. Com uma criança no colo, uma bandana na cabeça e uma cara de espanto ao vê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te arruma. Eu vim ser o teu homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-114081185056558033?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114081185056558033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114081185056558033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/maravilha.html' title='Maravilha'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-114081170344423283</id><published>2006-02-24T12:06:00.000-08:00</published><updated>2006-02-24T12:40:46.580-08:00</updated><title type='text'>Renato e sua guitarra</title><content type='html'>Chegou da aula, pôs a mochila no sofá e foi fazer algo para comer. A mãe havia deixado lasanha no micro, era só esquentar. Foi comer no quarto, queria ver The O.C. na tevê. Mas, ao chegar nele, um susto. Sobre a sua cama havia um case. Havia um case sobre a sua cama. Sua encomenda chegou uma semana antes do previsto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lindo. O case era lindo. Preto. Um metro de comprimento e uns vinte centímetros de altura. Na parte superior, uma palavra: Fender. Em alto-relevo. Lindo. O case era lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu. Espuma de poliuretano contornava aquela perfeição. Uma Fender Stratocaster americana adormecia naquele case. Lavou as mãos antes de acordá-la, claro. E a Fender Stratocaster americana estava em suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele afagava aquele corpo de groupie. Aquele corpo branco, que tantos outros famosos já teriam afagado. Pegava no colo. Acariciava seu braço. Abraçava emocionado. Aquilo era pura excitação. Era o clímax de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez seu primeiro acorde, um sol. Um sol que tremeu os vidros do quarto. Um sol que acordou sua mãe no quarto ao lado - Natinho, que barulho foi esse? Um sol que se abriu em um dia nublado. Um sol, um sol que iniciava um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Natinho, o caralho, teu filho agora é um rockstar, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-114081170344423283?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114081170344423283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114081170344423283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/renato-e-sua-guitarra.html' title='Renato e sua guitarra'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-114081153918117154</id><published>2006-02-24T12:04:00.000-08:00</published><updated>2006-02-24T12:27:34.486-08:00</updated><title type='text'>O(s) Altar(es) Certo(s)</title><content type='html'>Andava José pela rua desiludido (culpa de sua falta de fé – assim disse Maria). Não comia, não era comido. Procurava ele por alguém que lhe completasse os dias todos os dias, coisas de Josés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que ouvira, da janela de um casebre, a voz gostosa de uma moça de camisola rouca. Rezava ela. Seus joelhos nus eram marcados pelo tapete gasto, suas mãos juntas só se desfaziam para espantar os ateus mosquitinhos de seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Papai do Céu, salve a mamãe do mal que não sofre. E deixe o papai bem longe do Céu. Tire as mágoas da mesa de quem não tem e adoce o rosto de meu inimigo para seu próprio bem. Sirva de mosqueteiro bom na minha cama e para meus anjinhos competentes, abana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressionado com a simplicidade da moça, saía José. Aquela menina era linda, era boa e graciosa. Refez-se no bar da rua de cima. Pediu informação a uma mulher extravagante, que usava grandes jóias, um crucifixo reluzente e trajava um vestido tão curto, que nem parecia caber todas as cores que ali havia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maria,&lt;br /&gt;Filha de Ticiana e Osório,&lt;br /&gt;Um anjo de garota.&lt;br /&gt;Sofre, mas nunca reclama dos pais – Ticiana come a cuca que o demo cuspiu.&lt;br /&gt;Osório é o próprio demo. Cospe a cuca na Ticiana que comeu e não consentiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A janela estava quebrada. A lâmpada do poste vazava pela janela até a cama vazia. Os grilos cantavam o mais alto que podiam. Corria José com Maria nas costas. Jesus no coração também era lembrado. Atravessava o vilarejo até chegar próximo da mata. Colocava Maria no chão e com um beijo na boca acordava sua assustada bem-amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que queres? Quem és? Católico ou pagão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amo-te mais, mulher&lt;br /&gt;Quer meu próprio Amo?&lt;br /&gt;Sumi na escuridão dali&lt;br /&gt;E lá, em seu clarão, me pus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hmmm... E o que tens no coração? A luz? Mundano ou cristão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mundano, entorpecido por Deus&lt;br /&gt;Silêncio na relva da Sua reza&lt;br /&gt;Preza por mim, me pesa,&lt;br /&gt;Ouro...&lt;br /&gt;Sacos d’ouro – nosso paraíso&lt;br /&gt;De meu séqüito conforto,&lt;br /&gt;Juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juízo. Ela havia se impressionado com o ato de bravura do rapaz. Casaram-se dois meses depois. Osório vendeu sua filha por três sacas de ouro. Ticiana dava graças a Deus por não ter mais que explicar quão feliz era a vida de uma mulher casada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todos viveram com Deus no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-114081153918117154?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114081153918117154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114081153918117154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/os-altares-certos.html' title='O(s) Altar(es) Certo(s)'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-114081149217493461</id><published>2006-02-24T12:03:00.000-08:00</published><updated>2006-02-24T12:04:52.186-08:00</updated><title type='text'>O Sentimentalóide</title><content type='html'>A declaração do Sapo do lago:&lt;br /&gt;Penso pelas pernas e não vejo em mim o que quero. Sou muito menos do que o meu senso crítico considera bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-a de verdade. Passo noites tentando entender o porquê. E o porquê dela ter se interessado por algo tão vazio existencialmente como é o príncipe de sua vida. E sei (tenho em mim a certeza) que, se fosse seu amigo, ao menos a teria por perto, saberia de seu coração e do estado dele antes. Seria, então, o ente mais fiel que ela teria p’ra si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração da Princesa de Feliz:&lt;br /&gt;Nada sei sobre o ser humano, no mundo só vejo felicidade. Nada pode derrubar a beleza da vida presente que há, sei, só entre os muros do castelo. Meu príncipe me aguarda. Amo-o pelas virtudes de suas nobres palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração do Príncipe de sua vida:&lt;br /&gt;Yeah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração do Sapo do lago:&lt;br /&gt;Vejo-me atento a seus passos. Corre ela junto ao lago cantarolando canções populares, que diz não saber onde aprendeu. Apresento-me, finalmente, co'a minha esperança de me tornar príncipe um dia. Tenho-na como ser maior da natureza. Acho que gostou de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração da Princesa de Feliz:&lt;br /&gt;Corria eu junto ao lago, cantarolando as bregas músicas que os súditos do palácio cantavam em meu banho, quando, repentinamente, deparei-me com um sapo falante. Exemplificava ele as diferentes formas de amor, até propor-me a incondicional. Grátis. Não sei de amizades, nunca tive um amigo ou irmão. Vi o mundo sob uma nova ótica. O que sou comparada à grandeza do universo? Fui feliz ao conhecer a cultura que esse simples sapo me proporcionara. Sou algo mais completa agora. E, quando vi, estava atrasada, tinha que ouvir as lindas poesias declamadas por meu amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração do Príncipe de sua vida:&lt;br /&gt;Yeah! It’s only rock’n’roll, baby!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração do Sapo do lago:&lt;br /&gt;N’outro dia, cá estava ela, linda, como não podia deixar de ser. Pedia-me conselhos e chorava graças à forma que seus atos eram interpretados por seu pai e noivo. O fato de sua pureza ter se perdido no tempo colocaria em dúvida, também, sua fidelidade. Nada pude dizer para confortá-la. Não sou bom em falsas palavras, como é seu príncipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração da Princesa de Feliz:&lt;br /&gt;Nunca estive n’uma situação assim. Os dois homens da minha vida exclamando adúltera por entre os corredores do castelo. Questionava-me sobre minha sanidade. Estaria eu, realmente, me confessando para um sapo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração do Príncipe de sua vida:&lt;br /&gt;Nada tenho a declarar sobre a trama neste ponto. Minha intromissão fica restrita a uma personagem de contestáveis interesses e, caracterizando o empecilho d'um romance, abstenho-me de refletir sobre as demais coisas. Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração do Sapo do lago:&lt;br /&gt;Angustiada pela postura firme de seu pai, estava ela trancafiada em seu quarto sem poder, ao menos, abanar-me (a janela fica do lado contrário ao lago). Sinto-me só e insaciado, parece que meus planos não foram traçados como deveriam. Creio que nunca terei o calor da sua presença junto ao meu insignificante corpinho anfíbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração da Princesa de Feliz:&lt;br /&gt;Porque minha vida toma este rumo? Nunca fui uma má filha ou desonrosa para meu noivo. O que pode ter-me feito assim: aflita, supliciosa, gemente, lacrimosa, contristada, dolorosa, dolente, chorosa... Hmmm... Triste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só pode ser... O Sapo! Nunca tive tal sensação, tomar as próprias lágrimas salgadas. Só pode ser aquele Sapo calunioso. Meu reflexo no espelho é deplorável. E só há um jeito de me ver sorrindo outra vez, de voltar à minha antiga vaidade: matando o Sapo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração do Príncipe de sua vida:&lt;br /&gt;Foi um grito alto vindo da direção do lago. Ela se lastimava pela morte de uma rã. Não entendo o porquê, mas a partir dali, ela voltara a ser a menina que era. Nós vivemos felizes para sempre, eu acreditando no lado prático da vida e ela com o seu ar de romântica incompreendida que ainda crê n’um amanhã melhor... Tolices, meu bem, tolices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-114081149217493461?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114081149217493461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/114081149217493461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/o-sentimentalide.html' title='O Sentimentalóide'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113952934440557520</id><published>2006-02-09T15:53:00.001-08:00</published><updated>2006-02-09T17:21:43.693-08:00</updated><title type='text'>Estéticas e Mídias</title><content type='html'>Foi-me dada a tarefa de escrever sobre uma visita minha à Bienal do Mercosul que o Gasômetro conforta. Não tenho certeza, mas acredito ser a segunda ou terceira vez que vou à última das sedes da Bienal, segundo o roteiro construído pelo curador do evento, Paulo Sérgio Duarte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Gasômetro me agrada. Por mais que tenha um caráter de desorganização – a interatividade se tornou restrita, os idealizadores não tiveram o mesmo cuidado como em sedes tipo Cais do Porto, Santander Cultural e MARGS, onde toda uma estrutura pedagógica foi pensada -, suas obras são fortes e muitas marcam pela politização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa politização é visível na primeira obra por mim vista nessa visita. O chileno Mauricio Guillen filmou, da janela de seu atelier em Londres, uma guarita. Uma guarita no meio de um terreno baldio. A obra se chama "Night Shift" (Turno da Noite) e mostra um homem que passa doze horas do dia dentro desse lugar. Desse lugar de um pouco mais de dois metros por dois metros. Havia uma faixa no chão ao lado do vídeo. Essa faixa mostrava o diâmetro da mesma. Inclusive, seu nome era "Gate house" (guarita).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no vídeo, uma música ao piano remete um clima triste de solidão. Foi o que me passou, ao menos. Solidão, falta de perspectiva de futuro. Ao lado do vídeo, havia um segurança. Um segurança que trabalhava doze horas por dia de terça a domingo por um salário inferior ao de um mediador. O segurança não sabia, mas ele quase fazia parte da obra, p'ra mim. Dizia "a arte mostra também o óbvio. E por que não?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Work Frame" (Quadro de Trabalho) era a última parte desse belo trabalho do mexicano. Uma fotografia que dá a impressão de ser feita de pedrinhas. Nessa fotografia, o terreno baldio aparece limpo. Não há guarita. Não há lixo em volta - como havia no vídeo. Não há urubus - como também havia no vídeo. Guillen diz, preparem-se para a foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair da obra do mexicano, encontramos a de um brasileiro. Thiago Rocha Pita também constrói uma vídeo-instalação, "Ponte Aérea com Tempo Rodoviário". O registro de uma viagem de avião com duração de 4 horas. O título é irônico, como a obra. Uma ponte aérea, que seria algo prático e rápido, nos é apresentada em 4 horas. Nuvens são projetadas n’uma televisão de tela plana. Como um quadro que, aos poucos, se desconstrói. Descansar em frente à obra é um convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo da ironia das vídeo-instalações e entrando na ironia das fotografias, Fredi Casco chama a atenção. Paraguaio, ele reproduz imagens da Guerra Fria de uma forma satirizada. Debocha das cerimônias, dos rituais elitistas, do governo diretamente. É uma série de fotos em preto-e-branco, na qual a que mais me chamou a atenção era a que havia um padre com uma máscara de gás cercado de mulheres da alta sociedade. Questões raciais, hipocrisia, homens idênticos fazendo alianças militares, pouca coisa foge da crítica de Fredi Casco e suas fotografias manipuladas. Mais críticas a seguir com o polêmico Fernando Llanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Llanos é um videoman. Seus equipamentos fazem parte de seu "uniforme de trabalho". Isso até se mostra nas performances e no bonequinho, réplica do artista. O mexicano saiu pelas ruas de Porto Alegre mostrando ao porto-alegrense como o porto-alegrense é. Sua obra é uma mistura de intervenção urbana com vídeo. Ele os projeta em locais diferentes. Recentemente, uma prostituta, que participava de um vídeo seu sobre a Avenida Farrapos, entrou na justiça pedindo indenização por uso indevido de imagem. Segundo ela, não houve consulta do artista para que a imagem pudesse ser veiculada. Veiculada em uma instalação da Bienal. Desde a primeira vez que vi a obra, gostei. Pela ousadia e, principalmente, pela estética do artista. Performático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Córdoba, Argentina, "Primavera". Nena, Primavera, Rosário, Sofeador e Mono são cavalos fotografados por Adriana Bustos. Todos eles já estão mortos, diz o texto ao lado. Um vídeo mostra a visão de um cavalo nas ruas argentinas puxando uma carroça. A exploração animal, então, é o tema. Sem o texto ao lado, a obra passa por interessante. Tendo um extra na informação sobre meu olhar, a obra me é uma das favoritas, com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para terminar, a caxiense Diana Domingues brinca com meu afeto pela Pop Art. "I'Mito: zapping zone" é uma instalação de estética kitsch. Madonna, John Lennon, Elvis, Che Guevara, MS DOS, óculos 3D significam muito p'ra minha geração. Ou p'ra mim, especificamente. A brincadeira com ícones é inteligentíssima. P'ra mim, "heróis". P'ro próximo que entrar, ilustres desconhecidos. "Quão universal é um ícone?". No Santander Cultural, obras concretistas são expostas. Franz Weissmann, Max Bill, Carmelo Arden Quin. Nelas, a linguagem é universal. Um quadrado é um quadrado em qualquer lugar do mundo. A Marilyn Monroe... Que Marilyn Monroe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113952934440557520?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113952934440557520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113952934440557520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/estticas-e-mdias.html' title='Estéticas e Mídias'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113952923076724788</id><published>2006-02-09T15:52:00.000-08:00</published><updated>2006-02-09T17:33:12.270-08:00</updated><title type='text'>Produtividade em Pesquisa</title><content type='html'>A telenovela é um produto. Um produto artístico que é vendido em um meio midiático. Baseada nos moldes da radionovela, a televisão dos anos 50 obteve um sucesso inimaginável ao ver a repercussão que caberia à telenovela no Brasil. Tal repercussão levava empresários a investirem mais no meio e, assim, o tornando o veículo de integração nacional que hoje é. A telenovela é um produto que vende e convence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A telenovela é um produto que vende graças ao seu forte merchandising. Merchandising é uma ação publicitária que visa a credibilidade de uma marca para um público através de um meio específico. De uma forma, normalmente, discreta, esse tem sido uma tendência ainda a ser explorada, se comparada a programações e novidades norte-americanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, o merchandising começou em uma telenovela, "Beto Rockfeller", em 1969 na extinta TV Tupi. A novela tratava de um vendedor de sapatos que soube se incluir no meio da alta sociedade paulista. Beto Rockfeller, o personagem, acordava sendo vítima de uma ressaca e se auto-remediava com um produto da Bayer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propaganda em produções televisivas ainda engatinhava quando a Rede Globo investiu na área. Até então, só se via merchandising em peças cinematográficas, americanos o utilizavam para garantir os custos de suas produções e seus filmes acabavam por chamar a atenção para esse meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dancing Days hoje é nome de discotecas. Simplesmente, foi uma telenovela que fez história na televisão brasileira, não apenas pelo seu conteúdo dramático, mas também por ser o primeiro registro de um grande case publicitário. Antes dela, as trilhas sonoras das mesmas eram praticamente um produto à parte. Em “Dancing Days”, a Som Livre e a Rede Globo se dispuseram a garantir uma trilha de sucesso. No dia da estréia da novela, o LP já era vendido. Músicas dançantes, As Frenéticas, que estavam em alta na carreira, faziam a abertura do programa, o glamour da noite. Tudo meticulosamente estudado para que o programa alcançasse o auge comercial. Em “Dancing Days”, Sônia Braga vendia calças jeans Staroup na televisão e o Brasil conhecia sandálias Melissa Aranha, uma versão tupiniquim do modelo europeu, isso tudo em 1979.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois, Betty Faria apresentava na TV a marca USTop em "Água viva". Assim, os anos 80 foram fundamentais para a consolidação do merchandising na telenovela brasileira. A partir daí, os produtos não eram somente abordados nos intervalos, a ligação entre a obra de arte e seu instinto comercial era cada vez mais perceptível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está atualmente no ar uma novela da Rede Globo chamada "Belíssima". Belíssima é uma marca de lingeries bem conceituada em toda América Latina. Antes de sua veiculação, a Globo expunha a empresários sua proposta, “Belíssima é uma marca que alude à perfeição e à estética, à sofisticação e à beleza. O carro-chefe da Belíssima é a lingerie, mas o grande glamour e força desta marca podem ser emprestados a muitos outros produtos”. Assim dizia o site da emissora antes do programa ir ao ar. “Belíssima” seria o produto midiático de sucesso e seu merchandising, o mais forte das telenovelas brasileiras dos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder de uma novela popular é incalculável. Tendências, atitudes, personalidade e produtos de consumo, tudo está diante dos olhos de todas as classes sociais. A telenovela une um país de opiniões e realidades tão diversas. A maior publicidade não é aquela que simplesmente vende, mas, sim, a que conquista. E eis um meio que parece ter crédito o suficiente para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113952923076724788?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113952923076724788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113952923076724788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/produtividade-em-pesquisa.html' title='Produtividade em Pesquisa'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113952915574344879</id><published>2006-02-09T15:51:00.000-08:00</published><updated>2006-02-09T15:52:35.756-08:00</updated><title type='text'>Psicologia da Comunicação</title><content type='html'>Dogville é uma cidadezinha esquecida pelo mundo. Situada em algum lugar entre as montanhas do meio-oeste norte-americano, uma população pobre, de um pouco mais de dez residentes, vive em condições precárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrópole é a parte alta de uma cidade antiga. Primeiramente, como Dogville, constituía um lugar de refúgio para populações ameaçadas por invasões inimigas ou flagelos naturais. Com o tempo, a idéia de proteção relacionada com altitude conferiu à Acrópole um lugar santificado pelos deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de Dogville se dá pelo refúgio de Grace, Nicole Kidman. A personagem principal busca por proteção e recorre ao vilarejo entre as montanhas. Grace conta com a ajuda dos 12 moradores da cidadezinha para que pudesse permanecer em seu "porto seguro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, com o tempo, esse se desfez. Os moradores de Dogville, aos poucos, mostravam as mais desprezíveis mesquinharias humanas e sociais. Ela se mantinha forte, ainda acreditava no ser humano e permanecia serena e guerreira em suas certezas. Atena simbolizava a guerra justa e possuía uma disposição pacífica, como a personagem do filme. Deusa da razão, Atena presidia também as artes e a literatura. Grace lia e ensinava para os meninos do vilarejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora Grace não goste de violência, seu espírito de justiça fala mais alto no fim do filme. "Deixe-o vivo. Ele só está brabo porque um dia neguei um osso a ele”, ela, após a matança, referindo-se a Moisés, o cachorro que dava nome à cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dogville trata também de pecados da natureza humana, como a vaidade (Liz Henson), o orgulho (Jack McKay), a ira (Vera), a avareza (Ma Ginger) e a inveja (Chuck). Características humanas são visíveis na mitologia greco-romana também. A arte mostra ao homem suas virtudes e sua ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113952915574344879?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113952915574344879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113952915574344879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/psicologia-da-comunicao.html' title='Psicologia da Comunicação'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113921144590615269</id><published>2006-02-05T23:36:00.001-08:00</published><updated>2006-02-06T01:02:18.773-08:00</updated><title type='text'>5 de Fevereiro de 1936</title><content type='html'>É hoje! Setenta anos! Setenta anos é bodas de quê? Bodas de vinho. E há setenta anos o casamento de dona Sylvia com seu mais-que-competente anjo da guarda bebe dessa alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como tu olhas para trás, mas deves olhar com olhos satisfeitos. Mãe de quatro filhos, quatro ricas criaturas que buscam nas suas famílias passar a educação eficiente que tiveram contigo. Foste avó de onze netos, viste crescer em épocas diferentes pessoas distintas e te viu amando como mãe novamente. Foste mulher do teu marido. Aliás, a mulher que todo marido sonharia em ter, com certeza, paciente, dedicada, confidente, guerreira. Guerreira... Foste guerreira da tua vida. Conseguiste se manter fazendo um trabalho que ama, conseguiste se manter em pé, manter em pé uma casa, manter em pé uma família, conseguiste nunca cair. Tuas certezas sempre foram peso p'ra porta. Porta que sempre esteve aberta para todos. Aquela casa cheia é prova disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como tu olhas para frente, mas deves olhar com os melhores olhos também. Ainda há muito que viver, temos certeza disso. E eu sempre estarei ao teu lado para o que for preciso. Quero que tu sejas não só a melhor mãe, a melhor avó, a melhor esposa, a guerreira, quero que tu conheças teu bisneto também. Um dia, quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-te, minha melhor amiga. Nem mais nem menos. Amo-te exatamente na mesma proporção de sempre. Quando nossa casa grande parecia maior ainda e eu dormia no teu barrigão porque o dia havia me cansado muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado, vó. Feliz aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113921144590615269?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921144590615269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921144590615269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/5-de-fevereiro-de-1936.html' title='5 de Fevereiro de 1936'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113921140115043022</id><published>2006-02-05T23:36:00.000-08:00</published><updated>2006-02-05T23:36:41.150-08:00</updated><title type='text'>Das Frestas da Persiana</title><content type='html'>Das frestas da persiana, meus olhos. A árvore sempre esteve ali. Os galhos balançam e me assusto. Assusto-me com o ruído que a noite faz. Tenho medo de acordar o escuro. Se escuto passos pela sala, lençóis hão de me proteger. A TV ligada é só solidão. E eu não vejo nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Covardia, você nunca terá alguém. Nem a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113921140115043022?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921140115043022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921140115043022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/das-frestas-da-persiana.html' title='Das Frestas da Persiana'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113921135634638959</id><published>2006-02-05T23:34:00.000-08:00</published><updated>2006-02-06T01:06:08.443-08:00</updated><title type='text'>Um dia, um reino</title><content type='html'>Era uma vez um princeso, n’um reino distante, que aguardava a chegada de sua principesa n'um pônei cor-de-rosa. Aguardava, aguardava e aguardava. No alto da torre. Adormecido. Lua, sol, lua e chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cultivava longas tranças. Cantarolava para os pássaros de manhã. Mas um dia soube de uma carta. Bruxas? Missões? Esperança? Sim. Faria a Guerra do Vietnã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao término desta, cabelos curtos. Cara de homem. Medalha de herói. Bonita. Reluzente. E todo conforto de final feliz, de moral da história, era. Era somente uma impressão sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113921135634638959?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921135634638959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921135634638959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/um-dia-um-reino.html' title='Um dia, um reino'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113921128047774393</id><published>2006-02-05T23:33:00.000-08:00</published><updated>2006-02-05T23:44:31.396-08:00</updated><title type='text'>Margarida de Plástico</title><content type='html'>Margarida de plástico no centro da sala&lt;br /&gt;Me lembra o teu cabelo&lt;br /&gt;(a flor que não havia)&lt;br /&gt;Percorria teu corpo&lt;br /&gt;E se atirava ao chão&lt;br /&gt;De lá, brotava natureza&lt;br /&gt;E eu, de pouca beleza&lt;br /&gt;Nascia junto&lt;br /&gt;Joelhos juntos&lt;br /&gt;Mãozinhas juntas&lt;br /&gt;Olhos casados a te adornar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113921128047774393?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921128047774393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921128047774393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/margarida-de-plstico.html' title='Margarida de Plástico'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113921122751637519</id><published>2006-02-05T23:32:00.000-08:00</published><updated>2006-02-06T00:18:32.430-08:00</updated><title type='text'>Ateu</title><content type='html'>Poesia? Teu Bob Esponja que me abana da janela do carro? Teu melhor amigo que tá sempre nos lugares onde eu vou? Teu cheiro que me lembra uma tia-avó de São Francisco de Paula? Teu beijo que me morde todo? Teu cabelo que me irrita? Teu joelho que dá dó de ver? Teu nome que não rima com nada legal? Teus verbos que não sabem ser conjugados? Tua agenda que é cheia de citações minhas? Tuas idéias que não saem do lugar? Teu esforço que é comovente... Deus... Te escrevo um dia uma poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113921122751637519?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921122751637519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113921122751637519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/02/ateu.html' title='Ateu'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113754734247280646</id><published>2006-01-17T17:21:00.000-08:00</published><updated>2006-01-17T17:22:22.473-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Mais um dia que passou e você nem viu. Sabe qual é a minha maior preocupação? É quando você chegar a ser eu, como vai reagir. Você se ocupa com coisas insignificantes. Tudo bem, talvez elas até possam te trazer um futuro, sim, mas, por enquanto, elas só te consomem os dias. E um dia você vai sentir falta, quando seu corpo adoecer por inteiro, a solidão se instalar ao seu lado e só te restar as lembranças. Mas por que pensar nisso, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113754734247280646?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754734247280646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754734247280646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/mais-um-dia-que-passou-e-voc-nem-viu_17.html' title=''/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113754548607389490</id><published>2006-01-17T16:51:00.000-08:00</published><updated>2006-02-06T00:11:20.540-08:00</updated><title type='text'>Chuvoso</title><content type='html'>Chove. Dentro e fora de mim. Mas o vento varre tudo para o lado de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não faça isso. Leve a chuva até a casa de quem quero, refresque seus dias e pergunte a ela porque eu estou assim, tão... Chuvoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113754548607389490?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754548607389490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754548607389490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/chuvoso.html' title='Chuvoso'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113754509651422600</id><published>2006-01-17T16:44:00.000-08:00</published><updated>2006-01-17T16:44:56.513-08:00</updated><title type='text'>As Aventuras dos Cinco Porquinhos</title><content type='html'>Porquinho 1 (fumando um Marlboro vermelho): Cinco porquinhos!? Mas nós somos três porquinhos só!&lt;br /&gt;Porquinho 2: É verdade! Quem é você?&lt;br /&gt;Porquinho 4: Eu sou o Dartagnan.&lt;br /&gt;Porquinho 3: E você, porquinho magrinho da casinha imaginária, quem é?&lt;br /&gt;Porquinho 5: Eu sou o autor do texto.&lt;br /&gt;Porquinho 6: Ah, bom...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113754509651422600?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754509651422600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754509651422600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/as-aventuras-dos-cinco-porquinhos.html' title='As Aventuras dos Cinco Porquinhos'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113754492557995440</id><published>2006-01-17T16:41:00.000-08:00</published><updated>2006-09-30T14:22:46.880-07:00</updated><title type='text'>About Me</title><content type='html'>Eu? Eu sou eu mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aconselho. Eu consolo. Eu peço calma. Eu sou um pouco trágica. Eu compro. Eu vendo. Eu financio. Eu sou muito prática. Eu choro muito. Eu rio alto. Eu bato palmas. Eu sou bastante enfática. Eu imploro. Eu perdôo. Eu acaricio... Eu, a dona da tática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito mesmo, ter razão é o mais apreciável direito que Deus me deu – eu sou a lógica. Eu falo muito em primeira pessoa. Uns chamam pretensão, eu chamo de amor próprio. Eu, bastante cética. Eu, quando linda, sou muito chata. E como chata, sou terrível. Eu sou bem crítica. Eu acho que ser como a maioria, é mais fácil. Eu sou, simplesmente, dialética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho facilidade em trazer sorrisos. Eu tenho dificuldade em levá-los de volta. Eu sou quase mágica. Eu sonho muito. Ou estou dormindo, ou estou sonhando. Eu sou romântica. Eu sou um eterno conflito dentro de mim. Eu sou uma música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não suporto futilidade. Ela emburrece. Ela distancia. Ela exclui. Ela tira muitos assuntos da minha boca. Ela tira muitas pessoas da minha volta. Eu sou didática. Eu torço pelo mundo de todo mundo. Eu quero que você seja feliz consigo mesmo e acredito em seu plano. Largá-lo pode ser retroceder – eu sou muito democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu amo a vida. Eu amo os vivos. Eu sou exatamente lúcida. Eu sou extremamente cínica. Eu sou aquilo que não quero parecer. E sei que não sou tão diferente assim de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tento ser eu mesma o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113754492557995440?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754492557995440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754492557995440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/about-me.html' title='About Me'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113754479055245466</id><published>2006-01-17T16:39:00.000-08:00</published><updated>2006-01-17T16:39:50.553-08:00</updated><title type='text'>About Me (2)</title><content type='html'>Eu sou a coletânea dos meus maiores sucessos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113754479055245466?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754479055245466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754479055245466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/about-me-2.html' title='About Me (2)'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113754473420592677</id><published>2006-01-17T16:37:00.000-08:00</published><updated>2006-01-28T15:07:32.213-08:00</updated><title type='text'>A Explosão na Casa de Dona Aurora</title><content type='html'>As janelas, todas elas, estavam fechadas. Era um silêncio. Chegou cedo, onde estava Aurora? Eram seis horas, já devia ter saído. Encontrou a chave no fundo da pasta. Entrou pela porta que o tapete arrastava. A casa estava uma bagunça. Camiseta do filho pelo sofá. Jornal de anteontem pelo chão. Ventilador ligado. Maldito clima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As janelas, todas elas, estavam fechadas. E aquele silêncio. Na pia, as panelas. Sujas, desde que saiu. Lavou as panelas. Abriu as janelas. Pôs as roupas do filho no quarto do filho. O jornal de anteontem no cesto de lixo. O ventilador voltado para si. E a fotinho d'Aurora fez um sorrir. A casa já tinha cor, cheiro, som. O amor era o clima e o clima era bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até se abrir a porta do quarto. Essa não arrastava o tapete. Não fazia ruído. Só levava ao paraíso: a cama d'Aurora. Que dormia com outro. Aliás, bonito o outro. Moreno, alto, magro. Ele não quis incomodar, saiu de mansinho. Fechou a porta que não arrastava o tapete, que não fazia ruído, que só levava ao paraíso. Fechou a porta e os deixou dormindo. O clima já era incolor. Era inodoro. Silencioso. Silencioso. Até que a rua inteira ouviu um imponente estrondo. Bum! Sua primeira lágrima cai ao chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113754473420592677?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754473420592677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113754473420592677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/exploso-na-casa-de-dona-aurora.html' title='A Explosão na Casa de Dona Aurora'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113738055005742507</id><published>2006-01-15T19:01:00.000-08:00</published><updated>2006-01-15T19:02:30.066-08:00</updated><title type='text'>Sapatos</title><content type='html'>Para calçar os sapatos do meu amor, é preciso se ver distante. É preciso caminhar junto. É preciso caminhar junto e socorrer a dor quando o amor desatina a doer. Como calçada, meu amor teima em não ser pisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para calçar os sapatos do meu amor, é preciso esquecer. Esquecer do amor. Da intenção. Esquecer o querer de calçar seus sapatos. Sapatos bonitos, diga-se de passagem. Mas não diga a ele, amores vaidosos não se consomem com elogios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para calçar os sapatos do meu amor, é preciso entender. Meu amor não tem pés. Ele não rasteja pelo chão. Ele também não paira sobre outros amores. Não. O meu amor está estático, onde nunca parou e nunca começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113738055005742507?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113738055005742507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113738055005742507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/sapatos.html' title='Sapatos'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113649803758397946</id><published>2006-01-05T13:53:00.000-08:00</published><updated>2006-01-08T21:22:31.350-08:00</updated><title type='text'>Acorda, porra!</title><content type='html'>Acordou com aquela ressaca. Fez um chá e vomitou na pia da cozinha. Olhou no espelho e pensou que ia morrer. Imbecil. É muito cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite anterior, conheceu Lu. Bonita, falava bem, sorria bastante, legal. Uma vagabunda. Até agora ele não sabe onde enfiou a carteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez se abrisse o chuveiro, um banho gelado iria bem... E aquele cara que levou ela p'ra casa? Cada dia se convencia mais que a única mulher que prestava era sua mãe. E porque estava morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Psss... Parecia o Tintin com aquele topetinho ridículo... Ah, esquece. Maldito vômito, sujou toda louça. Dane-se também. Quem precisa comer? Sentou na rede e esperou alguma coisa acontecer. Choveu. Volta para dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A televisão. Há quanto tempo não via televisão? Ligou e... Uma bosta. Nada presta. Nem na novela. Nem na das oito. Aliás, que horas eram? Dez. Ele perdeu o dia todo por causa de uma ressaca. Perdeu o dia todo na TV. Perdeu a carteira também. Perdeu a fome. Perdeu a Lu para um idiota. Perdeu o respeito pela mulher que conheceu. Mas ganhou experiência para o próximo porre. Hahaha! Palmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113649803758397946?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649803758397946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649803758397946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/acorda-porra.html' title='Acorda, porra!'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113649796904501734</id><published>2006-01-05T13:52:00.001-08:00</published><updated>2006-01-08T21:23:44.086-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Choro. Vindo do quarto. Abri a porta e me vi deitado. Soluçava. Falava da minha sorte. Só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113649796904501734?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649796904501734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649796904501734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/choro.html' title=''/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113649800274510313</id><published>2006-01-05T13:52:00.000-08:00</published><updated>2006-01-08T21:23:24.260-08:00</updated><title type='text'>Meu Sonho</title><content type='html'>Sonhei contigo essa noite. Sonhei que tu tinhas sonhado comigo e no meu sonho tu vinhas me contar. Tu vinhas me contar teu sonho e meu sonho fazia parte dele. Sonhei que teu sonho se encaixava no meu e nós sonhávamos juntos por aí. Sonhei que, se meu sonho fosse injustamente anexado ao teu, meu sonho seguiria sonhando para sermos, juntos, o principal sonho do verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu sonho era como a realidade, mas em sonho, sabe? Você se preocupando em me contar os teus e eu sonhando com cada delírio das tuas noites. Tuas noites. Eu sonhei contigo essa noite e não acordei nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113649800274510313?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649800274510313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649800274510313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/meu-sonho.html' title='Meu Sonho'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113649793869377027</id><published>2006-01-05T13:51:00.000-08:00</published><updated>2006-01-08T21:24:02.390-08:00</updated><title type='text'>Por quê?</title><content type='html'>Ele estava sentado em uma mesa do saguão do shopping center. Fazia? Nada. Estava esperando alguém que talvez não merecesse ser esperado. Uma menina. Menina mesmo, fazia coisas de meninas, morrer, morrer, acordar e ir p’ra escola. Haviam marcado a espera, em uma mesa do saguão do shopping center.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisas do coração ele fazia. Estava ali por destino ou talvez por teimosia. Ela chegaria da escada rolante, iria sorrir, puxaria uma cadeira e sentaria à sua frente. E ele não deixaria de esperá-la. Menino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevia uma carta, enquanto esperava. Na carta, dizia que estava ali. Dizia como seria bom conhecê-la. Dizia o que esperava que acontecesse se não acontecesse nada. Dizia algumas coisas de menino. Coisas do menino que o tempo não superava de jeito algum. Coisas que o menino há tempos esperava dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Menina,...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebia água mineral, enquanto esperava. Água para secar a ansiedade. Água incolor para dar vida. Vida para quê? Vida para que?, se ela não viria. A água, na verdade, era só o pretexto para se levantar e ir embora quando a garrafa estivesse vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113649793869377027?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649793869377027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649793869377027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/por-qu.html' title='Por quê?'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-113649786581220504</id><published>2006-01-05T13:49:00.000-08:00</published><updated>2006-01-05T14:02:22.653-08:00</updated><title type='text'>Space Invaders</title><content type='html'>Minha vida começou com um jogo chamado Space Invaders. Poucas instruções, respire fundo e start. "Faça o melhor possível, campeão". Space Invaders era um jogo de Atari. E eu jogava. Todas as crianças no Menino Deus jogavam, na verdade. Atari era o máximo. E o meu Atari era da CCE, sei lá porquê. Lembro-me bem de ter que desligar o videogame depois de um tempo, porque os cartuchos ficavam quentes. Ter de assoprar para eles funcionarem. Dos joysticks com alavanca. Dos barulhinhos toscos. Saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ter um Atari ainda. Eu continuo o mesmo saudosista. Ainda compro meus vinis, meu carro é importado de um país que não existe mais, sou simpatizante à necrofilia da arte. Cinismo, puro cinismo. Tecnologia, na boca do povo, é videogame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do Atari veio minha fase Mega Drive 2. Na Rua Augusto Melecchi, quem tinha o melhor videogame, tinha mais amigos. Era assim. Até vir o Mega 3, minha casa era cheia de gente p'ra jogar Sonic comigo. Quem tinha o melhor videogame era mais feliz. E essa foi a maior lição que a infância me deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-113649786581220504?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649786581220504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/113649786581220504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2006/01/space-invaders.html' title='Space Invaders'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112760009306180244</id><published>2005-09-24T15:13:00.000-07:00</published><updated>2005-10-14T20:24:30.936-07:00</updated><title type='text'>A Invasão</title><content type='html'>Mas ninguém haverá de invadir o castelo. Paredes grossas nos separam do mundo. Lábios finos declamam amarguras de uma vida, e incendeio vagarosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde homem antes não havia visto? Onde não preenchia o espaço vago dentro de mim? Serás tudo, e eu algo. Serás a dor e a cura. O bom e o mau. O céu e o inferno. Meu prazer e meu pecado. Minhas condições, meu amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto fizeres da nossa casa castelo, te amo. Enquanto trouxeres a admiração de tantos, te amo. Enquanto fizeres sorrisos em mim, te amo. Enquanto a noite for dia, enquanto as coisas estiverem no lugar, enquanto não conhecer o que passa aí dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto tiveres força para me apresentar somente o que há de melhor em ti, meu amor, eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112760009306180244?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112760009306180244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112760009306180244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/09/invaso.html' title='A Invasão'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112759606552711764</id><published>2005-09-24T14:03:00.000-07:00</published><updated>2006-02-05T23:58:32.683-08:00</updated><title type='text'>Disseram</title><content type='html'>Disseram-lhe que a única coisa que aprenderá na vida é amar e ser amado. Iludiram-lhe com a idéia de ser completo, de assim estar seguro. Deram-lhe a impressão de ser bonito. Alma. Deram-lhe um coração e um rosto. A alma. Sinta. O aroma das flores nas árvores. O colorido do céu ao anoitecer. Sinta. A beleza ao abrir um rosto. O gosto doce da vida que recolhe e dá. E recolhe... E dá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encheram-lhe seus olhos de lágrimas. Estendiam-lhe as mãos para o infinito, o mundo era pequeno comparado àquilo que estava a sentir. Poderia tocar o céu e anoitecê-lo, sim. Poderia buscar seu amor no outro lado de si. E seu amor estaria ali, ao seu lado, ensolarado, em um dia calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com a parte mais profunda da mão, arrancaram-lhe a alma. Assim, bruto. Como um parto. Rasgante. Uma vez só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O amor nada mais é que uma armadilha a si mesmo - com os punhos fechados, disseram a um corpo indefeso, gemente, vazio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112759606552711764?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112759606552711764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112759606552711764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/09/disseram.html' title='Disseram'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112633091417549967</id><published>2005-09-09T22:39:00.000-07:00</published><updated>2005-09-10T16:47:17.476-07:00</updated><title type='text'>Essa é a sua vida</title><content type='html'>De cada amor, você encontrará o mesmo. De um mesmo amor, você fará milagres. E quando acordar, verá que é tarde. O amor foi embora e não deixou bilhete. Te amo. Assinado, o verbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você encontrará o céu e o inferno. E verá meu rosto em cada um desses seres. Em cada anjo, encontrará demônios. Em cada um deles, qualidades. De cada qualidade, haverá limitações... Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando encontrar a fossa, você voltará. De mãos abanando. Cabeça baixa. Um perdão lacrimoso na ponta da língua. E eu vou te dizer com meus olhos estremecidos, "você perdeu, trouxa"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112633091417549967?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112633091417549967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112633091417549967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/09/essa-sua-vida.html' title='Essa é a sua vida'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112633075226884249</id><published>2005-09-09T22:36:00.000-07:00</published><updated>2005-09-09T22:47:14.583-07:00</updated><title type='text'>O Príncipe</title><content type='html'>Lembro do príncipe, era meu colega, se sentava no fundo da sala, não falava com ninguém na aula. E ninguém gostava dele, claro. Um dia, ele desafiou um professor que queria lhe obrigar a ler um texto. Eu sou um príncipe, não preciso ler essas porcarias. Rasgou a folha na frente do mestre mesmo, que não reagiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O príncipe não ria na frente das outras pessoas também. Quando acontecia alguma situação engraçada, ele disfarçava, tapava a boca, olhava p’ro outro lado, mas não mostrava afeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, no corredor da escola, levantei o dedo p'ra ele, tu não pode ser um príncipe, entendeu? Príncipes não existem mais! E ele não me olhou, continuou andando com a mesma tranqüilidade real de sempre, filho da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que príncipes não existiam. E queria que ele provasse p'ra mim e p’ros outros que estava certo. Na saída, esperei p’ra ver quem o buscaria. Na frente da escola, todos já haviam ido embora, só o príncipe não. Horas já haviam passado, e o príncipe continuava ali. Eu já pensava em ir embora, talvez o cavalo branco não fosse alado, talvez o príncipe tenha ficado órfão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um Opala velho pára na esquina e buzina estridente. Mas ele finge que não vê. Um homem gordo e simpático abre a janela e abana para o príncipe, que caminha até o carro. Antes de entrar, ele me olha com tristeza, mas eu estampava um largo sorriso no rosto. Príncipes não andam de Opala por aí, meu querido. Eu estava certo. Foi um sorriso, um sorriso tão espaçoso que fez sua cabeça baixa... Mas logo senti vergonha também. Afinal, o que eu estava fazendo ali mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que o príncipe nunca mais voltou naquela escola. E nem eu. Nem eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112633075226884249?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112633075226884249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112633075226884249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/09/o-prncipe.html' title='O Príncipe'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112633054743860038</id><published>2005-09-09T22:34:00.000-07:00</published><updated>2005-09-09T22:35:47.440-07:00</updated><title type='text'>Culto</title><content type='html'>Livro nenhum explicava a sensação que ela tinha ao lê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era um livro em primeira pessoa. Contava suas aventuras ao longo de suas cento e poucas páginas. Era um livro triste. Amarguras de livro, julgado pela aparência, rótulos, ignorado em balaios, reavaliação de sua importância na ditadura, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve um amor também. Uma Bíblia havia lhe mostrado o caminho. Seu amor era Jesus. Tinha capítulos que salvariam vidas, inclusive a sua. Mas, com o tempo, o caminho se desfez, impreciso, linhas tortas. Não amava mais Jesus. E isso seria dito no próximo capítulo. “Até descobrir que o caminho está em você mesmo”. Pronto, era taxado auto-ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava ele na prateleira, com aquelas companhias chatas, falando coisas chatas, fazendo tipo de eu-sei-o-que-estou-dizendo. Seu prefácio, então, já alertava, “isso não é um desses insuportáveis livros de auto-ajuda”. Pessoas de bom-humor começaram a lê-lo. Era um prefácio muito simpático, realmente. Mas, por ser um livro triste, foi logo esquecido antes do final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As editoras pararam de publicá-lo. Não renderia lucros. Não traria retorno ao que seria investido. Estava na merda. Até encontrar uma saída, a sarjeta. Por ser único, suas impressões eram marginalizadas. Até que ressurgiu, como um culto do underground. Linhas tortas, tristeza, rejeições, respostas... Muitas pessoas já haviam adquirido seu exemplar genérico. E ele já havia mudado a cabeça de muitas pessoas. Há quem o considerava o melhor livro já lido até então. Outras, o desprezavam por ter uma linguagem comum. Com tantas opiniões sobre, ganhou a crítica literária. Despertando assim um novo envolvimento com editoras especializadas em literatura alternativa. No capítulo 8, ele dizia, “De um conselheiro barato a um genial formador de opiniões”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua arrogância ganhou os jornais. Outros livros em primeira pessoa surgiram depois. Escritos para venderem, logo se tornavam best-sellers. E o pioneiro havia sido esquecido novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecido. Esquecido novamente... Até ela conseguir achá-lo numa biblioteca. Como pode esse livro não ter seu merecido valor nos dias de hoje? Mas seu último capítulo havia uma resposta, “Leia e me arranque as páginas após seu consumo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112633054743860038?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112633054743860038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112633054743860038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/09/culto.html' title='Culto'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112633041395689201</id><published>2005-09-09T22:31:00.000-07:00</published><updated>2005-09-09T22:33:33.963-07:00</updated><title type='text'>Dramaticamente falando</title><content type='html'>Nasci dramaticamente dia 6 de agosto de 2005. E minha primeira experiência com o teatro foi consideravelmente boa. Meu nascimento junto de meus irmãos foi consideravelmente bom. Obtivemos o desempenho desejado. Em nível de atuação, de presença, de companheirismo. E “Marinheiro Só” se tornou a música mais linda de um começo de final de tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceram pequenos vacilos, sim, algumas coisas não aconteceram, claro, mas, como nascimento, foi perfeito. Aliás, até o que se pôde chamar imperfeito foi positivo. Gênios não existem, nem Chico Buarque nem Salvador Dali. Viventes existem. Pessoas que cuidam uma das outras existem. Seres que se comprometem com melhorar cada dia existem. Crescimento em equipe existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sábado feliz existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sábado desses foi um dia muito importante na minha vida dramática. Foi o primeiro dia do resto dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112633041395689201?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112633041395689201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112633041395689201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/09/dramaticamente-falando.html' title='Dramaticamente falando'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112304247359127360</id><published>2005-08-02T21:12:00.000-07:00</published><updated>2005-08-02T21:14:33.590-07:00</updated><title type='text'>Moinhos</title><content type='html'>Não estava a casa ao pé da fonte. Ela quase tocava o céu com a chaminé e a chuva não a alcançava. A casa tinha três quartos p’ra você, esperando seu retorno, te desejando boas-vindas. Onde quer que você esteja, você voltará, é sabido. Na mesa, três crianças lindas tomam sopa de letrinhas. O chão era limpo e espelhado. Espelhava o teto que espelhava o chão que espelhava o céu. No alto das cortinas, um sonho amadurecia. Queria voar para bem longe, para onde as lágrimas fossem preciosas, para onde as armas fossem douradas. E quando estiver longe, longe da casa, longe das crianças, longe de você, perto das lágrimas, perto das armas, perto da possibilidade de realizar um sonho, cegar. Cegar e não ver que, o tempo todo, era a fonte que estava ao pé da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112304247359127360?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112304247359127360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112304247359127360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/08/moinhos.html' title='Moinhos'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112304231310267273</id><published>2005-08-02T21:10:00.000-07:00</published><updated>2005-08-02T21:11:53.103-07:00</updated><title type='text'>De Preto</title><content type='html'>Sim, não pediria p’ra ficar, se não fosse. Não imaginava acordar ao te ouvir, tais palavras. Talvez exista uma chance ainda. Olhar atrás de ti, ver coisas que colori. Onde estava minha cabeça ao imaginar ser eterno? Por que não aprendi que a eternidade não é ser invencível? Onde é que decidimos pelo pedaço bom das lembranças? Por que teu vulto insiste em bater na porta do meu quarto? Teu vulto insiste em bater na porta do meu quarto... Quando abro, ele me chama. E, ao pé d’ouvido, vem me dizer, suavemente, com voz doce e sorrateira, que eu morri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112304231310267273?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112304231310267273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112304231310267273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/08/de-preto.html' title='De Preto'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112304218889051228</id><published>2005-08-02T21:07:00.000-07:00</published><updated>2005-08-02T21:22:40.986-07:00</updated><title type='text'>Perigoso</title><content type='html'>Ele fez uma cara de mal, foi até o bar, comprou cigarro. Pôs-se a sentar no capô do carro, queria ver bem as meninas passar. Era verão, as roupas eram poucas. Era Brasil, o rebolado era muito. De repente, do seu lado, se encosta um cara esquisito. Esquisito para ele, camisa xadrez, sem tatuagens, sem boné, sem óculos escuros, sem gírias, sem barba. Com uma lata de cerveja na mão, ele queria fazer amizade. Dizia que não gostava de cerveja, mas, como muitos bebiam ali, resolvera que aprenderia a tomá-las, as cervejas, todas elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o cara do cigarro não queria conversar, nem se conheciam. Mas o outro insistia em puxar assunto: foi o futebol, foi o novo governo, foi a novela, foi o Big Brother, foi o último censo do IBGE, nada. O cara do cigarro nem o olhava nos olhos, fazia aquele começo de riso, uma expiração nasal que só ficava naquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, o cara esquisito da cerveja foi desistindo, foi baixando a cabeça e afastando-se do capô. Caminhava lentamente até a mesa vazia do bar, deixou ali sua latinha ainda cheia. Talvez tenha se formado errado. Talvez seu mundo não seja aquele de pessoas certas que certamente se sentem ameaçadas. Talvez não devesse rotular. Talvez não nascera para brilhar. Mas o que estará errado, será que é sua boa educação, ou será que é seu visual de bom moço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112304218889051228?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112304218889051228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112304218889051228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/08/perigoso.html' title='Perigoso'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112200262073777167</id><published>2005-07-21T20:22:00.000-07:00</published><updated>2005-07-21T20:26:03.470-07:00</updated><title type='text'>A História é que não</title><content type='html'>Eu gosto de meninas de Fotolog, a História é que não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112200262073777167?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112200262073777167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112200262073777167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/histria-que-no.html' title='A História é que não'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112200071867455802</id><published>2005-07-21T19:51:00.000-07:00</published><updated>2005-07-21T20:11:32.383-07:00</updated><title type='text'>The Fotolog's Girls</title><content type='html'>As meninas do Fotolog são bruxas. As meninas do Fotolog são ameaças. As meninas do Fotolog devem ser queimadas na fogueira dos pecados. Essas meninas são meninas que dormem em um quarto sem janelas. Que carregam no ventre um menino deus. E oferecem maçãs p’ro único amor de suas vidas. As meninas do Fotolog alimentam frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas meninas desses fotologs bordam para esquecer de seu tempo. Retardar a dor. Meninas de fotologs são negras pálidas. Meninas de fotologs são senhoras simpáticas. Elas ainda esperam em casa o marido chegar na madrugada. Por quê? Porque as meninas do Fotolog amam demais. Se bem que essas meninas parecem mais meninos de uns tempos p’ra cá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as meninas do Fotolog guardam, em si mesmas, a mesma conquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112200071867455802?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112200071867455802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112200071867455802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/fotologs-girls.html' title='The Fotolog&apos;s Girls'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112200067455429646</id><published>2005-07-21T19:50:00.000-07:00</published><updated>2005-07-21T19:51:14.556-07:00</updated><title type='text'>Contabilizando estrelas</title><content type='html'>Do alto do telhado da vivenda da chácara, um casal de amigos vê o céu deitado sobre uma toalha de rosto. Um deles falava, a outra ouvia. Um deles possuía um grande amor engatilhado: ela, ele adorava a forma como o mundo parecia mágico em sua inocência. Já a outra, tinha uma outra grande paixão, a astronomia, mesmo não conhecendo muito ainda. Amava ter aquele espaço infinito, incabível em seus olhos, para si. Somente para si em sua particularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Céu é aquilo que se sobressai sob nossas cabeças. Algo como uma senil e grande abóbada. E astronomia é o tipo de arquitetura utilizada para a construção anil dessa grande abóbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Aos poucos, ele punha a cabeça em seu ombro. De forma que ficassem de frente para a lua prateada. O sereno da noite era a música que ilustrava o momento. Apontava para ela as estrelas, estrela por estrela. Inventava nomes de constelações às vezes. Às vezes acertava. Às vezes mudava de assunto. Em outras vezes se perdia no brilho dos olhos dela a se descobrir. A música era o sereno da noite e nunca será esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - A lua prateada é um caríssimo e belíssimo enfeite importado. As estrelas são furos propositais na engenharia da abóbada que fazem vazar, por eles, luz... Luz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Talvez fosse esse o momento! No encantamento do brilho de seus olhos, ele tornou extensão da natureza. Desengatilhou o amor que estava prestes a explodir e apontou para a estrela mais linda, aquela dos desejos submersos no escuro. Palavras bonitas a confortavam em suas idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            No final, ela lhe dirá que não quer nada dele... Tomara que não. Mas está escrito no destino, não há como mudar. Mas tomara que haja. Por que, quando ele olhar novamente para cima, e não houver nuvens, santas ou aviões, pensará consigo mesmo: é só o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112200067455429646?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112200067455429646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112200067455429646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/contabilizando-estrelas.html' title='Contabilizando estrelas'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112200062734852314</id><published>2005-07-21T19:39:00.000-07:00</published><updated>2006-09-27T21:26:28.290-07:00</updated><title type='text'>Estranho</title><content type='html'>Estranho. Ele era estranho. Sentia saudade da mulher que ainda não conhecia. Mas conheceria. E seria bom. Ele tinha certeza que a encontraria, seja lhe pedindo fogo para acender um vício ou pedindo uma explicação de onde estava, para onde iria, como faria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pegaria em sua mão e sairiam voando pelo mundo. Ela também era muito estranha. Não acreditavam em si mesmos. Estavam num bistrô europeu bebendo vinho europeu e reclamando do frio asiático. Estavam em São Sebastião do Caí pedindo informações pela janela do carro. Estavam na área de serviço lavando camisas sujas de batom. Sujas por Ela, claaaro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheceriam a vida pelos seus óculos de sol de girassol. Acabariam brigando. Depois voltariam a se entender. Mas brigariam de novo. Ele ligaria para ela às três da manhã para dizer que a ama. Ela pedirá para ele ligar em horário comercial e voltará a dormir. Ele acordará desanimado, ela acordará com outra ligação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles esqueceriam o dia que se conheceram. Ele não tinha fogo, mas ela não fumava mesmo. Se tivessem um filho, ele se chamaria Rodrigo. Não, Gibraltar. Mas Gibraltar não é nome de criança! Ela queria Gibraltar. Ele não queria mais ter filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lhe mandaria um buquê. Um buquê de trigos. Sim, trigos. Anexo a ele, um bilhete. O que vem a ser o amor, senão o campo onde semeia o bem? O campo onde conquistamos, residimos, vestimos. Do nosso amor, fizemos pão. É o pão que cada dia nos abriga, mas é o amor que nos alimenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela morreria de amores por ele. Morreria ou mataria? Eles combinariam de morrer juntos. Unificar o espírito, acreditar em algo. Amor ou morte? Morrer pelo coração. Eles morreriam em lençóis borrados. Dois corpos em penetração. Românticos diriam que era o olhar do artista. De ambos. Psicanalistas diriam que era um distúrbio emocional. Dois. E os céticos dirão que era só uma fase. Mas que, logo logo, passaria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112200062734852314?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112200062734852314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112200062734852314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/estranho.html' title='Estranho'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112089801812928738</id><published>2005-07-09T01:32:00.000-07:00</published><updated>2005-07-09T01:35:43.793-07:00</updated><title type='text'>23:29, 31/12/05</title><content type='html'>Ele adentrava a casa e conhecia tudo aquilo muito bem. Aquelas janelas marrons, aquela estante vinda de Portugal, aqueles meninos na foto... Quando ela descia, ele pôde contar, vim passar o reveillon contigo. Ela não era mais a mesma, nem sorriso deu. Fez que sim com a cabeça e foi lavar a louça. Ele estranhou, mas se sentou à mesa e ficou ali perguntando, tio por tio. Ela respondia. Soubera que o tio Dalton morreu de Aids e que ele era viado. O tio Cláudio fugiu com a empregada e deixou mulher e filhos sem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando ele perguntou da sua irmã caçula, Martinha, ela desligou a torneira. Secou as mãos. Olhou-o de uma forma séria e pediu para que aquele nome não fosse mais mencionado naquela casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava sereno. Olhava para cada canto com uma curiosidade ímpar. Como essa casa sobreviveu tanto tempo? Ela lhe perguntou o que fazia. Como fazia. Onde fazia. E se não era perigoso vasculhar a conta do banco de homens poderosos de Brasília. É, sim, mas é o que eu faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parede, uma lagartixa percorria a sala até o armário da cozinha. Ele acendeu um cigarro. Ela fumou também. Disse que sentia falta dos primos. Disse que domingo era um péssimo dia, o mercado não estava aberto. Disse que o Guga nunca mais voltará a ser o que era. Tu acha que a bolha desse pé é normal? E levantou aquele pé de velha na altura do peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram horas falando sobre nada. Matavam a saudade de uma forma estranha. Mas espera! Que horas são? Não tem relógio nessa casa. Então, vou ver no carro. Caminhou emocionado até lá fora. O carro estava no meio da grama alta. Ratos e cobras passavam por ali, era próximo a um banhado. Um banhado que não existia quando ele era criança. Voltou com uma garrafa de espumante. São onze e meia, mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde você vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou dormir. Não agüento mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é reveillon, mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não, filho, não dá. Feliz 1989 p'ra ti. E vê se me arranja um netinho logo, né? Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112089801812928738?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112089801812928738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112089801812928738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/2329-311205.html' title='23:29, 31/12/05'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112089793139948122</id><published>2005-07-09T01:30:00.000-07:00</published><updated>2006-08-18T22:50:55.263-07:00</updated><title type='text'>Depois do Chaves</title><content type='html'>A primeira coisa que todos faziam quando chegavam na escola era deixar a mochila num lugar determinado onde, depois que batesse para o sinal de entrada, as professoras iriam buscar seus alunos em filas. Minha mãe era nova e me levava para o colégio de bicicleta. Eu era um dos primeiros a chegar sempre, colocava minha pasta naquela fila de mochilas e saía. Não me lembro para onde ia, talvez procurar amigos ou buscar um buraco para enfiar minha cabeça como aquele bicho engraçado que via nos desenhos animados, não lembro direito. Só lembro que, ao chegar, minha pasta não estava mais ali. Depois de muito procurar, a achava no meio do pátio já vazio, tinha sido pisoteada. Estava suja de areia e tinha as marcas dos tênis de quem provavelmente fez aquilo. O lanche, que ali dentro havia, se tornara migalhas. O cantil de suco ou de Nescau vazava pelos meus cadernos nojentos. Nojentos de tão amassados, nojentos de tão imundos, nojentos de tão humilhados, nojentos de tão vazios, nojentos de tantos desenhos inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha uma certeza, gostava de desenhar. Escondia-me atrás da escada do colégio e cabulava aula. Desenhava no fundo do caderno. Esse fundo logo iria encontrar a metade, essa metade logo encontraria a matéria escrita com péssima caligrafia. Logo minha mãe seria chamada no colégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe não era muito chamada no colégio, ao contrário, ela ia mais por vontade própria. Ela tinha vontade de ver o filho, que chorava em casa para não ir à aula, feliz. Desde minha creche ela vai reclamar da instituição. Nunca gostei da minha creche, eu era obrigado a comer sagu lá. E diziam que se eu vomitasse, teria que comer tudinho do prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No colégio, as orientadoras sugeriram que eu procurasse um tratamento psicológico. Acho que fazer o menino que me batia parar, era muito difícil, talvez ele fosse um super-herói ou filho do dono do colégio. Acho que a segunda opção é mais fácil de ser verdade, porque se ele fosse um novo super-herói: (1) eu seria um vilão, porque ele batia em mim, e (2) eu saberia, porque conhecia todos os heróis que passavam na televisão. E ele não era um. Ao menos, não na minha tevê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112089793139948122?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112089793139948122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112089793139948122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/depois-do-chaves.html' title='Depois do Chaves'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112089777806813702</id><published>2005-07-09T01:24:00.000-07:00</published><updated>2005-07-09T01:59:27.830-07:00</updated><title type='text'>Sexy</title><content type='html'>Era mais uma manhã como todas as outras. Senhor Mathias se senta na rede da varanda para ler o seu jornal rotineiro. Arruma o mate dentro da cuia. Como de costume. Pede para a Senhora Matias trazer a garrafa térmica. Como o faz diariamente toda manhã. Sem surpresas. Sem grandes surpresas. Seria assim, se ele não houvesse se deparado com uma grande bunda na capa do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou no começo de tudo. Deus, muito cansado de criar animais sem sentido e depois extingui-los, criou o homem com um prazo de validade já acertada. Você pode brincar de Deus à vontade, Eu só quero ter cobertura completa em Minha onipresença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu nome seria Adão para que ficasse evidenciada a grandeza de sua criação - um homem no aumentativo causaria inveja até no Diabo. Alguns anos depois, exausto de tanto assistir cenas bizarras de erotismo, Deus cria uma fêmea para a raça de Adão a partir de uma costela do mesmo, a primeira mulher da história, Eva de Adão. Dizem as más línguas que ali surgira o diálogo. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação: homem faz grunhidos estranhos com a boca. Mulher considera aquilo, realmente, muito sexy. Eles fazem amor a noite toda. Ele era o único homem do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que, o que era paraíso, virou história... No Evangelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos e muitos anos mais tarde, já em 6 bilhões de Adões e Evas multicoloridos, o homem que representava Deus condenaria o preservativo. Deus, então, estava a favor da superpopulação e contra o combate ao vírus HIV. Deus estava contra um continente que sempre sofreu de discriminação. Deus estava contra seus astros que faziam campanhas de incentivo à camisinha. Deus estava contra a mulher que decidira não ter mais filhos, dom que Deus exclusivamente ofereceu-lhes como uma bênção. A escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, não. O homem que o representava. Deus teria se afastado do homem após a descoberta de Adão e Eva: Eva e Adão. Descoberta que o homem que o representava nunca poderá ter. Morto. Mas outros homens estavam em situações diferentes. Situações bem melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação: homem faz grunhidos estranhos com a boca. Mulher, já independente, tem o direito de escolher... Ele era o último homem do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações nem sempre tão melhores. Mas o último homem do mundo tinha outras opções de lazer. Televisão, por exemplo. Ligara na novela e... O sexo tomava o que era só entretenimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Betina tinha seis anos quando ligou a televisão. Quando entornas teu corpo em meu, desejo-te imensuravelmente. Teus lábios salientes me chamam como em um atrativo jogo de sedução. Pego-te como se fosse a última vez. Entre meus braços viris és fidelidade. És para mim único destino. Betina tinha 16 anos quando disse foda-se à televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sexo tomava a arte. E a arte tomava o entretenimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Poema Introduzido)&lt;br /&gt;Girls, gatinhos e gays.&lt;br /&gt;Gatinhos, gays e girls.&lt;br /&gt;Gays, girls e gatinhos.&lt;br /&gt;Capricho,&lt;br /&gt;MTV&lt;br /&gt;E American Pie.&lt;br /&gt;Ponto G,&lt;br /&gt;Ponto H&lt;br /&gt;E o xis da questão.&lt;br /&gt;G de gente,&lt;br /&gt;X de Xuxa&lt;br /&gt;E H de Comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o sexo tomava a curiosidade. Que tomava a arte. Que tomava o entretenimento. A curiosidade, então, era multinfluenciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiravam suas roupas. Beijavam-se deliciosamente. Brincavam. Boca na boca. Boca no pescoço. Boca no dorso. Boca na boca. Boca no sexo. Sexo no sexo. Sexo na calça. Olhos nos olhos. Nojo nos olhos... Figurinhas repetidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o sexo tomava a informação. E a informação tomava a sexualidade. Essa antes negada, em tempos remotos. Sexo seria conversa. Sexo seria atitude. Sexo seria a unidade monetária do século 21. Sexo seria não fazer amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mais uma manhã como todas as outras. Senhor Mathias se senta na rede da varanda para ler o seu jornal rotineiro. Arruma o mate dentro da cuia. Como de costume. Pede para a Senhora Matias trazer a garrafa térmica. Como o faz diariamente toda manhã. Sem surpresas. Sem grandes surpresas. Seria assim, se ele não houvesse se deparado com uma grande bunda na capa do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhou, claro. Folheou e viu que tinha partes femininas por toda parte. Seios, vaginas, coxas, pés, axilas (deve haver um nicho de mercado para as axilas)... No fim do jornal, o rosto de uma linda moça lambendo seus lábios, com os dizeres acima: “Quer? Vem pegar!”. Ah! Aquilo não era admissível para ele. Não para ele! Ligou imediatamente para cancelar a assinatura daquele jornal nojento e despudorado.&lt;br /&gt;- Serviço de Atendimento ao Assinante Folha da Manhã, como posso ajudá-lo?&lt;br /&gt;- Eu quero cancelar já essa pouca vergonha! Esse jornal perdeu o senso de realidade! Assino a Folha da Manhã há 30 anos e nunca vi algo assim. Um absurdo!&lt;br /&gt;- Seu nome?&lt;br /&gt;- Matias.&lt;br /&gt;- E como tu tá vestido, Matias? Hmmm... Quer se excitar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112089777806813702?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112089777806813702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112089777806813702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/sexy.html' title='Sexy'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112046482491977236</id><published>2005-07-04T01:13:00.001-07:00</published><updated>2005-07-08T21:25:22.620-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Fico pasmo ao ver como as pessoas podem ser tão indelicadas. Eu me espanto como alguém pode passar frio. Indigna-me como alguém pode sentir fome. Um dia desses vi um mendigo revirando sacos e sacos de lixo em plena luz do dia. Não encontrava nada. Era visível seu desespero. Até que, no meio de um, encontrou uma embalagem de desodorante. Desodorante! Devia ter ainda um restinho e ele passou na barba, nos cabelos, na roupa, na boca. Escondia, ao menos, o antigo odor no perfume de aerosol que pôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que veio uma loira de mini-saia e o arrastou para o conversível dela. Saíram sorridentes e irresponsáveis por aí. E eu fiquei olhando. Fui até o saco de lixo e, sem ninguém notar, pus aquele desodorante na minha pasta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112046482491977236?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112046482491977236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112046482491977236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/fico-pasmo-ao-ver-como-as-pessoas.html' title=''/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112046487041784602</id><published>2005-07-04T01:13:00.000-07:00</published><updated>2005-07-04T01:22:22.706-07:00</updated><title type='text'>poesia neo-concretista pós-moderna permeada d'um tom claramente realista e possuidora de sutis influências do impressionismo francês em sua essência</title><content type='html'>coxa&lt;br /&gt;sobre&lt;br /&gt;coxa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112046487041784602?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112046487041784602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112046487041784602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/poesia-neo-concretista-ps-moderna.html' title='poesia neo-concretista pós-moderna permeada d&apos;um tom claramente realista e possuidora de sutis influências do impressionismo francês em sua essência'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112046478051791496</id><published>2005-07-04T01:12:00.000-07:00</published><updated>2005-07-04T01:34:06.553-07:00</updated><title type='text'>O Problema do Brasil</title><content type='html'>Pessoas bem vestidas fazem fila. Homem baixo de cabelos brancos é o último. Homem negro de óculos grossos entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...é, de novo essa merdinha. Esse salariozinho fodido p’ra sustentar dois filhos e uma mulher. Não é fácil. Lá em casa, seguimos a ideologia da minha tia: se sentir fome, vá dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem baixo de cabelos brancos se vira para o homem negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é que tu pode falar assim? Coloque suas mãos para cima e agradeça a maravilha que é estar vivo, infeliz. Um emprego, filhos, uma mulher, uma casa, saúde, uma sábia tia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem negro de óculos grossos responde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, mas eu não tenho nenhuma maravilha na vida, sou professor de geografia em ensino público. Sabe o que um dia desses um aluno me disse? Que o problema do Brasil é ter brasileiros demais. P’ra ele, um presidente estrangeiro é um caso urgente, resolveria tudo. Já ouviu merda maior? Minha vida passa longe de qualquer maravilha. Deus esqueceu de mim quando traçava o destino para esse mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem baixo de cabelos brancos se indigna. Voz engrossa. Aponta o dedo. Rosto vermelho. A saliva é despejada a cada sílaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, homem! Que dizes? Queres dizer que estás duvidando do plano celestial para com seus discípulos? Achas Jesus um amador, é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem negro de óculos grossos responde parecendo desiludido. Pessoas em volta – caixas e a fila – reparam a discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Não disse isso também. Não sei. Não acho nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada? Como assim? Não tens opinião sobre Ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, repentinamente, o chão abre em três, e no meio da fenda surge um enorme homem com uma armadura medieval prateada, uma longa barba branca e uma energia florescente em volta de seu corpo, isso deu uma certeza para aquele infiel, é Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, esse homem pecador contesta Tua existência, mas saibas que cumpro os rituais de amor a Ti diariamente. Sou bom e ajudo a quem posso. Perdoe a alma desse pobre infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ná, eu gosto do Senhor, fizeste o céu e o mar. Acho bem bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quietos, homens! Não quero ouvir mais suas vozes! Tu não crês em nada. Não acreditas que a vida pode ser mais bonita que a rotineira sala destruída. Tu não vês o outro como um próximo, tens medo de inovar e esqueces da função que exerces, não mostras aos jovens que, se passam fome, é porque não se organizam para evitar tal acontecimento. És um homem incompleto como ser. E quando me vês, falas isso? Deverias sentir vergonha do seu egoísmo... Olhe aquele irmão no sinal. Não tem pernas e, ainda assim, diverte o sádico conterrâneo com as embaixadinhas que faz. Ele não receberá dinheiro algum daquele senhor. Nem do próximo. Nem do outro ainda. Mas um homem a pé entenderá que tem muito mais do que precisa e o dará dinheiro para seu tratamento. Entendes a razão de viver? O ser pequeno não alcança o céu. O ser pequeno rói as paredes para que lhe caia o céu sobre a cabeça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Deus desaparece como a mesma intensidade que chegou. O infeliz homem senta-se na calçada. Vê o semáforo fechar pela terceira vez, e pela terceira vez, o homem do sinal não ganha nada com suas brincadeiras. Ele, então, olha para cima e resolve dar o dinheiro de seu trabalho para aquele cara. “Você merece”. Sai com a consciência tranqüila de quem ajudou para um mundo melhor, cumpre as promessas que fazia diante de qualquer palestra sobre o domínio norte-americano: ajudaria seu país no futuro que foi proclamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aí, Damião. Pode sair daí. O cara me deu um dinheirão, véio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vixe, isso que é piedade, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hahaha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, um p’ra mim, um p’ra ti, um p’ro Damião, um p'ro gerente e um p’ro tio dos efeitos especiais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112046478051791496?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112046478051791496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112046478051791496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/07/o-problema-do-brasil.html' title='O Problema do Brasil'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112011285901809026</id><published>2005-06-29T23:27:00.001-07:00</published><updated>2006-07-28T18:37:50.690-07:00</updated><title type='text'>Centímetro</title><content type='html'>Adoecia em um quarto vazio. Escorando-se, dividia-se em mofo e rachaduras. Caindo sentado, estendendo os braços. Apertando o corpo contra a parede com força. Diminuindo cada centímetro. Recolhendo as pernas finas de quem não mais se alimentava. Tremulando as mãos como se houvesse algum mal. E havia um mal, a namorada. A namorada ensangüentada queria lhe confidenciar algo. A boca da namorada coberta de coágulos e balas. E beijos. E lágrimas. E palavras silenciadas por homens de capuz branco em noite preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele adoecia naquele quarto vazio. Um quarto no meio do nada. As paredes eram sua companhia, elas compartilhavam da insanidade, da tristeza de um jovem olhar. Olhar insistente para a porta. No vão, o rastro da claridade se esvaía, se desesperava. Não! Será mais uma vez noite. Os gritos eram camuflados pelo desespero que aquele corpo representava. Conforme a luz do sol diminuía, desaparecia. Desaparecia. Até que sumiu. Os ossos foram diluídos no cimento que arquitetava o quarto. O único vestígio de vida ali era o eco de seus gritos... E os seus gritos insistiam em ecoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112011285901809026?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112011285901809026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112011285901809026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/06/centmetro.html' title='Centímetro'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112011290787721560</id><published>2005-06-29T23:27:00.000-07:00</published><updated>2005-06-29T23:49:54.076-07:00</updated><title type='text'>Conselho de Mãe</title><content type='html'>Na primeira vez que pedirem tua mão em casamento, minha filha, não aceite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112011290787721560?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112011290787721560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112011290787721560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/06/conselho-de-me.html' title='Conselho de Mãe'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-112011282890352420</id><published>2005-06-29T23:23:00.000-07:00</published><updated>2005-06-29T23:30:44.043-07:00</updated><title type='text'>Será o nosso fim?</title><content type='html'>Sua arquiinimiga conseguiu novamente. Mas não por muito tempo. Ao chegar no templo sagrado, desembainhava sua espada; estava à frente de sua pior ameaça. Ela, a ameaça, havia já lhe dado trabalho em outras ocasiões. Era espadachim e trabalhava para um clã de traidores. Ela havia matado sua mulher e seus filhos. Ele, jurado que os vingaria. Ela era uma das mais poderosas na arte da arma branca. Ele a respeitava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhavam-se fixo. Ela estava em posição de defesa, seu forte, o contra-ataque. Ela possuía um florete guardado na cintura. Era belíssima. A mulher mais bela que já havia visto em toda vida. Era inteligentíssima também. Possivelmente não será essa a última vez que lutariam. Era a mulher que quis fazer de sua vida um inferno. E conseguia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um momento, abaixou sua espada. Ajoelhou-se perante ela. Colocou sua cabeça ao chão e jurou obediência. Afirmou que seria servo. Disse que poderia fazer o que quisesse, apenas pertencê-la o importava. E se expôs como homem aos seus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela via desacreditada... Esboçou um sorriso no rosto... E se pôs em posição de ataque. Enquanto escorria sangue, excremento e saliva, o olho direito era mastigado dentro da boca da mulher de dentes brancos. E o olho esquerdo lacrimejante via tudo através de suas pálpebras forçadamente abertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-112011282890352420?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112011282890352420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/112011282890352420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/06/ser-o-nosso-fim.html' title='Será o nosso fim?'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-111959027341770944</id><published>2005-06-23T22:16:00.000-07:00</published><updated>2005-06-23T22:21:17.010-07:00</updated><title type='text'>Decepção</title><content type='html'>Às vezes sinto uma vontade muito forte de chorar. Muito forte mesmo. Mas raramente eu choro. Muito raro mesmo. Não consigo chorar por outros motivos. Só choro de decepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-111959027341770944?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/111959027341770944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/111959027341770944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/06/decepo.html' title='Decepção'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8451278.post-111959020290947035</id><published>2005-06-23T22:15:00.000-07:00</published><updated>2005-06-23T22:36:30.436-07:00</updated><title type='text'>Uma casa, um apartamento, um casamento, um casal</title><content type='html'>Fazia frio do lado de fora, o namorado trouxe o grande casaco. Um beijo e um sorriso e caminhavam abraçados e iam até o carro. Ela tinha dificuldades de pôr o cinto e ele a ajudou. Estavam quase na esquina e ela lembrou: a cuca para o café da manhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe dele era sempre tão atenciosa. Ela a chamava de filha loura. A filha loura pegou, então, o pacote da cuca, correu até a calçada do lado oposto. Acenou para as senhoras da janela e entrou no carro de novo. Esse cinto estragou? Ele não tá prendendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As chaves de casa eram jogadas em cima da mesa como um grito de liberdade, estou onde sempre quis estar. Ela colocava a cuca no armário, ele preparava o banho. As toalhas? Que que tem? Não estão na gaveta. Ah, entrou água na cozinha, tive que enxugá-la. Tão estendidas ali. Ele beijava sua boca como um grito de liberdade, mais uma vez estava onde sempre quis estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem diria. Ela. Se ela tivesse três amigas e um namorado antes, ela magoaria as três e esfaquearia o coitado. Era incrível o poder de se desentender com os outros. O olhar blasé, o sorriso tímido, as poucas palavras sempre certeiras, sua feiúra estrategicamente confortante, tudo nela o fazia feliz. Enchia a boca para dizer seu nome, estou casado com a. Ele também. Quem diria. Casado. E parece que o caso é mais grave, ele estava apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela, mesmo melancólica, mesmo achando que a vida poderia ser um pouco mais fácil, estava satisfeita até. O namorado era bonito, mas não era lindo. O carro era novo, mas não era do ano. O apartamento era espaçoso, mas não era próprio. Ela tinha um namorado, um carro, um apartamento e um emprego. Parece que tudo estava dando certo. Quem sabe ela esteja apaixonada por si mesma nesse momento... No exato momento que ele tomava banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Solano Lucena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8451278-111959020290947035?l=blogescuro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/111959020290947035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8451278/posts/default/111959020290947035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogescuro.blogspot.com/2005/06/uma-casa-um-apartamento-um-casamento.html' title='Uma casa, um apartamento, um casamento, um casal'/><author><name>Solano Lucena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07564256177546638733</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
